Palocci diz que conversava com Lula sobre os ilícitos na Petrobras

Roger Pereira


Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, na tarde desta quarta-feira, o ex-ministro Antônio Palocci, preso pela Operação Lava Jato, disse que não só ele como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tinham pleno conhecimento da corrupção nos contratos das diretorias de serviços, abastecimento e internacional da Petrobras. Segundo o ex-ministro, ele e Lula tiveram conversas sobre o assunto.

Questionado pelo juiz Sérgio Moro se tinha conhecimento e participação nas irregularidades dos contratos das empreiteiras com a Petrobras, Palocci disse que, apesar de não ter atuado neste caso, por não ser de sua área, tinha total conhecimento de como funcionava o esquema. Indagado como que sabia, ele respondeu: “Eu era da cúpula do governo, conhecia as relações ilícitas das empresas com a Petrobras, eu conversava com o Lula sobre isso”, disse, citando um episódio específico:

“Por exemplo, quando o ex-presidente foi eleito em 2007 ele me chamou para conversar e falou: soube que na área de serviços e abastecimento da Petrobrás está havendo muita corrupção. Eu respondi:, é verdade. Ele perguntou e o que é isso? Falei: aquilo que foi destinado para esses diretores: operar para o PT em um caso e para o PP no outro. Ele me perguntou se eu achava que isso estava adequado. Falei que não, que estava exagerado. Ele falou que ia tomar providência, que não estava gostando porque estava repercutindo de forma muito negativa”, disse o depoente, que depois explicou porque nenhuma medida foi tomada. “Mas logo depois veio o pré-sal, que colocou o governo em uma atitude frenética em relação à Petrobras e aí essas questões de ilícitos de diretores da Petrobras ficaram para terceiro plano”.

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Em negociação por um acordo de delação premiada como Ministério Público Federal, Palocci prestou depoimento como réu da ação penal em que ele, Lula e o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, entre outros acusados, são apontados como responsáveis pela negociação de vantagens indevidas pagas pela Odebrecht na forma da aquisição de um terreno onde seria instalado o Instituto Lula e de um apartamento vizinho ao que o ex-presidente reside, em São Bernardo do Campo – SP como contrapartida a contratos que a empresa obteve com a Petrobras.

Logo no início do seu depoimento, Palocci admitiu culpa no caso e disse que os fatos são um capítulo da relação entre a Odebrecht e os governos Lula e Dilma. “A denúncia procede, os fatos narrados são verdadeiros, eu tenho participação relativamente próxima dos fatos. Esses fatos dizem respeito a um capítulo de um livro maior, que é a relação da Odebrecht com os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma, que foi uma relação bastante intensa, movida a vantagens indevidas, doações de campanha, caixa 2, propinas para agentes públicos, e esse foi um episódios desse conjunto de práticas que envolveu essa empresa em relação aos governos e eu participei de boa parte desses entendimentos na qualidade de ministro da Fazenda e da Casa Civil”, declarou.

Questionado por Sérgio Moro se ele era o interlocutor de Marcelo Odebrecht para assuntos de propina ao governo Lula, conforme apontado por Odebrecht em seu depoimento, ele também confirmou. “Fui interlocutor sim, era a maior empresa do Brasil e eu ia ser ministro da Fazenda, fui apresentado e passei a me relacionar com todos os executivos da Odebrecht antes mesmo da posse de Lula, e fui interlocutor deles para vários assuntos, desde assuntos do governo até assunto ilícitos”.

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Repórter do Paraná Portal
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