Desestruturação da PF afeta ritmo da Lava Jato, diz Dallagnol

Roger Pereira


Com Cristina Seciuk – CBN Curitiba

A Operação Cobra, 42ª fase da Operação Lava Jato, ocorreu exatamente dois meses depois da fase anterior, a Poço Seco, deflagrada em 27 de maio. Foi o maior intervalo entre ações ostensivas da força-tarefa (descontados os períodos de recesso de fim de ano), desde a primeira fase da Operação em março de 2014. Para o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol a diminuição no ritmo tem relação direta com o contingenciamento de recursos e a desestruturação do grupo de trabalho da Polícia Federal específico para a Lava Jato.

“Isso já é concreto, é uma realidade, veja que das sete últimas fases da Lava Jato, seis foram do Ministério Público Federal e apenas uma da Polícia Federal, justamente por esse corte de recursos humanos da PF. Se a Polícia Federal tivesse conseguido manter o seu ritmo de trabalho, nós teríamos, ao invés de sete fases, 12 fases: seis da Polícia Federal e seis do MPF”, disse em entrevista à rádio CBN Curitiba.

A Polícia Federal nega contingenciamento e afirma que a decisão de extinguir o grupo de trabalho específico foi apenas operacional e que teria, inclusive, aumentando o número de delegados aptos para investigar casos relacionados à Lava Jato.

Além de desaprovar decisões de contingenciamento orçamental que podem impactar as operações no país, o procurador da Lava Jato disparou também contra ações que vem sendo colocadas em prática pelo governo federal antes da votação, na Câmara dos Deputados, do pedido de abertura de processo contra o presidente da República Michel Temer (PMDB).

“Os próprios atos que vem sendo praticados pelo governo para conseguir se proteger das investigações envolvem práticas que se desviam do benefício público: milhares de emendas parlamentares, perdão de dívidas milionárias de empresas de parlamentares e distribuição de cargos comissionados, enquanto serviços públicos essenciais ficam suspensos e vemos, também a alta de impostos. Significa que quem paga a conta do que está acontecendo é a população. Por isso, a nossa preocupação é que o Congresso possa refletir o anseio da sociedade de que as pessoas que praticaram corrupção possam ser responsabilizadas”, disse na entrevista.

Confrontado com o argumento de que parlamentares contrários à abertura de processo e o consequente afastamento do presidente da República defendem a estabilidade política do país no momento de crise, o procurador ataca o tipo de estabilidade defendida. “O que essas pessoas precisam perceber é que a estabilidade que essas pessoas sobre as quais pesam fortes evidências de corrupção não é mais que uma falsa estabilidade. Basta perceber que o presidente Temer se cercou de várias outras pessoas que dia após dia, semana após semana, saíram uma a uma ou mesmo foram presas, como o Geddel. O que acontece e que se constrói uma estabilidade sobre uma plataforma que tem pilares corroídos pela corrupção”, concluiu.

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Repórter do Paraná Portal
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