Paulo Roberto Costa admite tentativa de ocultar provas durante investigações da Lava Jato

Roger Pereira


O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa admitiu ao Juiz Sérgio Moro que tentou ocultar provas durante as investigações da Operação Lava Jato.
O ex-executivo, as filhas e os genros dele foram interrogados nesta sexta-feira na Justiça Federal do Paraná. A família é acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de tentar obstruir as investigações ao retirar documentos e dinheiro do escritório da empresa Costa Global Consultoria, no Rio de Janeiro, que pertence a Paulo Roberto Costa.
O ex-diretor da estatal disse que agiu de forma errada ao pedir para a uma das filhas retirar pertences do local.

“Entregeuei a chave para ela, em um canto para ela para o pessoal não perceber e pedi para ela ir lá no escritório para pegar um dinheiro que eu tinha lá, cerca de R$ 50 mil que eu tinha para pagar as contas do escritório. Acabei colocando a minha família neste rolo, o que não tinha necessidade de acontecer”, confessou

A movimentação da família entrando e saindo com sacolas e mochilas da Costa Global atraiu a atenção da Força Tarefa, que na época investigava apenas um esquema de lavagem de dinheiro mantido por doleiros. O material foi levado da empresa por familiares de Costa no mesmo dia da primeira fase da operação, em 17 de março de 2014.

Naquela data, o ex-diretor era alvo de condução coercitiva e, por força policial, prestava depoimento sobre o esquema descoberto. Três dias depois, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Lava Jato e prendeu Paulo Roberto Costa. Durante depoimento, o ex-diretor da estatal respondeu a um questionamento do Ministério Público Federal em que negou que as filhas tivessem conhecimento das irregularidades.

Ao fim da audiência, uma das filhas do ex-diretor da Petrobras, Ariana Azevedo Costa, pediu autorização ao Juiz Sérgio Moro para ler um texto e se emocionou ao falar da trajetória do pai dentro da Petrobras. Ela admite que o ex-executivo errou, mas pediu que a sociedade lembre também das boas ações realizadas durante a gestão dele na estatal. “Eu sei que meu pai errou, e errou bastante, mas está pagando muito caro por tudo o que fez, tanto ele quanto sua família. Nada disso compensou. Todos os anos trabalhados, todos os projetos concluídos, todos os prêmios recebidos foram apagadose só ficará na lembrança os atos ilícitos”.

Paulo Roberto Costa foi o primeiro investigado pela Lava Jato que fechou acordo de colaboração. O ex-diretor chegou a ficar detido na Superintendência da Polícia Federal, mas hoje cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro. As duas filhas e os genros não foram detidos durante a operação.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal