Pedro Corrêa: “Não tínhamos nenhum interesse na diretoria da Petrobras a não ser fazer caixa para o partido”

Roger Pereira


Em depoimento na ação penal que tem como réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da operação Lava Jato, o ex-deputado Pedro Côrrea afirmou que intercedeu diretamente junto ao ex-presidente para que Paulo Roberto Costa fosse nomeado diretor de abastecimento da Petrobras e disse que a nomeação tinha como único objetivo fazer caixa para o partido. “Não tínhamos nenhum interesse em administrar uma diretoria da Petrobras, a não ser fazer caixa”, disse o ex-deputado, que dirigiu o PP até ser cassado após envolvimento no mensalão.

Corrêa relatou que, após a eleição de Lula em 2002, reuniu-se com o então presidente do PT, José Genoíno e o então secretário-geral, Sílvio Pereira, para negociar o apoio do PP ao governo. Corrêa diz que o partido exigiu ministérios e cargos nas diretorias de empresas e autarquias, entre elas, a diretoria de abastecimento da Petrobras. “O mesmo que se fazia nos governos anteriores. Inclusive com o entendimento e favores a empresários, igualzinho a todos os governos que participei desde 1976”, ressaltou.

Ele disse que a nomeação de Costa foi acertada, posteriormente, com José Dirceu, mas como, até o final de 2003 não havia sido consumada, o partido, e outras bancadas aliadas, passaram a obstruir a pauta da Câmara Federal, o que fez com que fosse convocado para uma reunião com Lula. “Em três semanas, saiu a nomeação e desobstruímos a pauta”, contou.

Pedro Corrêa disse também que ele e o ex-deputado José Janene deixaram claro a Paulo Roberto Costa que o “objetivo da nomeação era fazer favor a empresário para que a gente pudesse cobrar recursos para manter as atividades do partido”. E contou que, na conversa que tivemos com Paulo Roberto. Ele disse que sabia que existia a propina na Petrobras e que se ele fosse para lá ia continuar fazendo”.

O ex-deputado ainda relatou que, em 2006, quando foi pedir mais dinheiro e cargos para o então presidente Lula, visando as eleições daquele ano, Lula teria lhe dito que “vocês não podem reclamar porque o Paulinho tem me dito que vocês estão muito bem servidos e vão fazer uma eleição muito tranquila e reeleger todos os deputados”. Corrêa disse, no entanto, que não sabe rigorosamente nada sobre OAS e apartamento no Guarujá, nem que o presidente Lula teria solicitado ou recebido vantagem indevida.

A oitiva de Pedro Côrrea foi, mais uma vez, marcada por discussões entre a defesa de Lula, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro. Os advogados do ex-presidente apresentou contradita questionando a fé de Pedro Corrêa para prestar depoimento, por já ter sido condenado no mensalão, ter sido cassado por quebra de decoro e foi condenado na Lava Jato a mais de 20 anos de prisão. A defesa destacou, ainda que o ex-deputado negocia delação, mas teve a proposta devolvida pelo STF por considerar que as acusações não tinham qualquer base. “Não é pessoa digna de fé ou isenta para prestar depoimento”, argumentou, tendo o pleito indeferido por Sérgio Moro.

A defesa também pediu para que os questionamentos se restringissem ao objeto da denúncia, os contratos da OAS com a Petrobras e o suposto pagamento de vantagens indevidas a Lula, inclusive através do apartamento triplex no Guaruja, mas Moro permitiu que questões políticas fossem tratadas na audiência por conta da contextualização dos fatos. Na sua vez de perguntar, os advogados de Lula questionaram Corrêa sobre o teor de seus depoimentos na proposta de acordo de delação premiada. O ex-deputado alegou sigilo para não responder, o que gerou mais protestos da defesa, lembrando que na condição de testemunha, ele teria obrigação de falar a verdade. Mais uma vez, Moro indeferiu o pleito da defesa e permitiu que o depoente mantivesse o sigilo, “em respeito ao STF”. Mais uma vez, Sérgio Moro criticou a defesa por estar tumultuando a audiência e interrompeu a gravação do depoimento para discutir com os advogados. Na retomada da audiência, a defesa reapresentou pedido de suspeição do juiz por conta da discussão, pedido prontamente rejeitado.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal