PF deflagra 50ª fase da Lava Jato para apurar desvios na Transpetro

Mariana Ohde e Assessoria

Policiais federais cumprem três mandados de busca e apreensão em Salvador, na Bahia, e Campinas e Paulinia, em São Paulo.

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (23) a 50ª fase da Operação Lava Jato, chamada Operação Sothis II. A nova ação está relacionada à 47ª fase, que apura o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e lavagem de dinheiro relacionadas a contratos da Transpetro.

Policiais federais cumprem três mandados de busca e apreensão em Salvador, na Bahia, e Campinas e Paulinia, em São Paulo.  Os mandados judiciais cumpridos nesta manhã foram expedidos pelo Juízo Federal da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Investigações

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), um dos focos da investigação nesta nova fase é a empresa do ramo de engenharia Meta Manutenção e Instalações Industriais Ltda, suspeita de efetuar pagamentos de propinas no valor de, aproximadamente, R$ 2,3 milhões em benefício do ex-gerente da Transpetro, José Antônio de Jesus, que se encontra atualmente cumprindo prisão preventiva em Curitiba.

As investigações tiveram início com a colaboração premiada de executivos da NM Engenharia, que relataram o pagamento de propinas ao ex-gerente da Transpetro, derivadas de contratos celebrados com a estatal. A partir daí e após a realização de diligências, foi deflagrada a 47ª fase da operação Lava Jato, ocasião em que foram realizadas buscas e apreensões e conduções coercitivas. Na época foi relatada por um dos investigados a existência de outros pagamentos indevidos em favor de José Antônio de Jesus, especialmente provenientes da empresa Meta.

Com base nas informações angariadas na 47ª fase foram realizadas novas medidas de investigação, como quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos, as quais revelaram a existência de transações bancárias entre a Meta Manutenção e uma empresa vinculada a José Antônio de Jesus, sendo apuradas diversas transferências, entre os anos de 2009 e 2011, que somaram a quantia de R$ 2,3 milhões.

“As provas colhidas até o momento indicam ainda que, logo após as transferências dos recursos pela Meta Manutenção, familiares de José Antônio de Jesus foram favorecidos com operações bancárias diretas da empresa vinculada ao ex-gerente da Transpetro, evidenciando que foi utilizada apenas para esconder a origem ilícita dos valores”, informa o MPF.

As buscas e apreensões cumpridas de hoje têm o objetivo de colher material probatório que possa auxiliar a conclusão das investigações, segundo o MPF.

Sothis

Na Operação Sothis, 47ª fase, foi preso o ex-gerente da Transpetro, José Antonio de Jesus. Ele e seus familiares são suspeitos de receber R$ 7 milhões em propina paga por uma empresa de engenharia.

As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tiveram início com base na colaboração premiada dos executivos da empresa de engenharia. Foram realizadas diversas diligências com base nas informações, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos. As medidas revelaram a existência de vínculos entre os investigados e corroboraram os atos narrados pelos colaboradores.

As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios.

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

“Esse ex-gerente era vinculado ao movimento sindical e ao PT de maneira informal. Ele mencionou que os valores seriam revertidos ao partido quando solicitou o pagamento de propina”, afirmou Jerusa.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal