PF deflagra duas fases da Lava Jato nesta sexta-feira

Mariana Ohde

Por Andreza Rossini e Mariana Ohde

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (18), ao mesmo tempo, duas novas fases da Operação Lava Jato – a 43ª e 44ª. Esta é a primeira vez que duas fases são deflagradas no mesmo dia.

As operações foram chamadas Operação Sem Fronteiras e Operação Abate. São 46 ordens judiciais distribuídas em 29 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de condução coercitiva e 6 mandados de prisão temporária. Os mandados são cumpridos no Rio de Janeiro, Santos e São Paulo. Um dos alvos é o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza, ex-PT. Ele foi líder do governo de Dilma Rousseff e é alvo de prisão temporária.

Dos seis mandados de prisão, um foi revogado e três foram cumpridos. Foram presos temporariamente o ex-deputado Cêndido Vaccarezza e Marcio Aché, ex-gerente da Petrobras e o doleiro Henry Hoier. Luis Eduardo Loureiro Andrade, da Seargent Marine, está em Miami. Dalmo Monteiro Silva, ex-gerente da Petrobras, também está no exterior – até o momento eles não foram considerados foragidos.


Carlos Roberto Martins Barbosa, ex-gerente da Petrobras, está hospitalizado no Rio de Janeiro e teve seu pedido de prisão revogado pelo juiz Sérgio Moro.

Segundo a PF, em ambas as operações, os casos envolvem corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro em contratos de grandes empresas com a Petrobras.

A ação foi deflagrada por meio da Delegacia de Combate a Corrupção e o Desvio de Verbas Públicas (DELECOR/SR/PF/PR). Os presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba onde permanecerão à disposição do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR.

Operação Sem Fronteiras

Na Operação Sem Fronteiras é investigada a relação entre executivos da Petrobras e um grupo de armadores gregos para fretamento de navios, para obtenção de informações privilegiadas e favorecimento na obtenção de contratos milionários com a empresa brasileira.

As investigações tiveram início a partir da delação do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa e se desenvolveu com a análise de materiais apreendidos na 13ª fase da operação, além de provas obtidas mediante a realização de quebras de sigilo bancário, fiscal, de dados telemáticos e registros telefônicos, além de cooperação jurídica internacional.

De acordo com o Ministério Público Federal, as apurações apontam que o Costa ajustou com o cônsul honorário da Grécia no Brasil, Konstantinos Kotronakis, o esquema de pagamento de propinas, efetivado num primeiro momento (2008 a 2010), pela intermediação do operador Henry Hoyer de Carvalho, que já havia sido alvo da 13ª fase da Lava Jato, e, depois, por intermédio de uma empresa de brokeragem constituída na Inglaterra e pertencente a Georgios Kotronakis, filho de Konstantinos.

Os contratos do esquema superou US$ 500 milhões e pelo menos 2% desses valores era destinado ao pagamento de propina a funcionários públicos corrompidos, operadores financeiros e agentes políticos, por meio de empresas ligadas a Costa e Kotronakis.

No mesmo contexto, foram colhidos fortes indícios do envolvimento de um ex-gerente da Petrobras ligado à área de afretamento de navios, no esquema de corrupção que visava favorecer armadores gregos. Também foi possível verificar o recebimento de vantagens indevidas, em benefício dele, em contas ocultas no exterior, titularizadas por empresas offshores registradas em nome de terceiros. Há, ainda, evidências concretas de que esse ex-gerente também beneficiou as empresas Olympic Agencies e Perosea Shipping Co em contratos com a Petrobras.

Operação Abate

Na Operação Abate, a PF desarticula um grupo criminoso que era apadrinhado pelo ex-deputado federal Cândido Vaccarezza, cuja influência era utilizada para a obtenção de contratos da Petrobras, para fornecimento de asfalto, com empresa estrangeira. De acordo com a PF, recursos foram direcionados para pagamentos indevidos a executivos da estatal e agentes públicos e políticos, além do próprio ex-parlamentar.

As investigações também tiveram início a partir da delação de Costa. Entre as provas que  corroboraram o relato do colaborador estão, por exemplo, documentos que comprovam o pagamento de propinas mediante transferências bancárias no exterior, anotações de agendas e arquivos apreendidos em fases anteriores da Operação Lava Jato que descrevem a divisão de comissões resultantes do negócio dentre operadores, funcionários da Petrobras e políticos.

42ª fase

A 42ª fase, chamada Operação Cobra, foi deflagrada no dia 27 de julho. O principal alvo foi o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine. Entre os crimes investigados estão corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, que tiveram início na 23ª fase da operação, ele teria solicitado o pagamento de propina a pessoas do grupo Odebrecht para não prejudicar obras e contratações da Petrobras. A Odebrecht teria pago R$ 3 milhões a Aldemir. Os pagamentos só teriam sido suspensos após a prisão de Marcelo Odebrecht.

O nome Cobra é uma referência ao apelido que o Aldemir tinha na lista da Odebrecht – uma planilha de pagamentos de propinas apreendida no Setor de Operações Estruturadas da Odrebrecht.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal