MPF denuncia 11 por desvio de verbas; PF prende acusado em São Paulo

Narley Resende


A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta quarta-feira, 10, a Operação Irmandade, nova fase da Lava Jato, em que também foram denunciados 11 investigados, sendo cumprido um mandado de prisão e um de busca e apreensão em São Paulo, expedido pela 7a Vara Federal Criminal (RJ).

O empresário Samir Assad, irmão do empresário e lobista Adir Assad, condenado na Lava Jato, foi preso.

A Operação Irmandade é um desdobramento da Operação Pripyat, em que foi investigado desvio nas obras de Angra 3 da Eletronuclear. Os investigados são vinculados ao núcleo administrativo de organização criminosa estruturada para desviar recursos públicos. Eles são acusados pelo MPF de usar empresas de fachada para emitir notas fiscais frias a grandes construtoras, como a Andrade Gutierrez, durante as obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014, da Ferrovia Norte-Sul e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Adir Assad já foi investigado nos escândalos na Petrobrás, na Eletronuclear e das obras da construtora Delta. O empresário e lobista já foi alvo de três mandados de prisão preventiva em um ano e três meses. A mais recente foi decretada na operação Pripyat.

Segundo a PF, a operação desta quarta-feira mira “o núcleo financeiro de uma organização criminosa responsável pelo desvio de recursos públicos nas obras da usina nuclear de Angra 3”.

“As investigações tiveram como foco pessoas pertencentes ao núcleo financeiro, incluindo o irmão de importante operador financeiro preso nas Operações Pripyat e Saqueador, sendo denunciadas ao todo 11 pessoas por realizarem a lavagem de dinheiro, aproximadamente R$ 176 milhões, além da pratica dos crimes de organização criminosa e falsidade ideológica”.

Denunciados

Outros denunciados hoje foram Marcelo Abbud, que já havia sido preso junto com Adir Assad, e Mauro Abbud. De acordo com o MPF, as empresas Legend Engenheiros Associados, SP Terraplenagem, JSM Engenharia e Terraplenagem e Alpha Taxi Aéreo Ltda usaram recibos falsos para abastecer o caixa 2 da Andrade Gutierrez em mais de R$ 176 milhões.

Também foram denunciados Sandra Branco Malagó, Sonia Malagó e Raul Tadeu Figueroa, acusados de ajudar na lavagem de dinheiro, assinando contratos e recibos falsos pelas empresas de fachada. Os ex-executivos da Andrade Gutierrez Rogério Nora de Sá, Clóvis Renato Numa Peixoto Primo, Flávio David Barra e Gustavo Ribeiro de Andrade Botelho também foram denunciados.

Na denúncia oferecida à Justiça, o MPF esclarece que a Andrade Gutierrez está colaborando com as investigações e já apresentou provas da materialidade dos crimes.

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