Operação ligada à Lava Jato prende ex-presidente da Eletronuclear

Mariana Ohde

A Polícia Federal (PF) cumpre nove mandados de prisão no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre na manhã desta quarta-feira (6) em ação derivada da Operação Lava Jato. O ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, é um dos alvos da chamada Operação Pripyat. Ele cumpre prisão domiciliar e é réu em processo na 7ª Vara Federal Criminal e foi preso em casa.

Também há três mandados de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 26 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos por 130 agentes federais. Além de Othon, seis funcionários da empresa, que integravam o núcleo operacional das fraudes, tiveram a prisão preventiva decretada e o atual diretor foi afastado por ordem judicial.

A ação, baseada em provas colhidas nas investigações referentes à construtora Andrade Gutierrez, na Operação Lava Jato, investiga desvios no setor elétrico. São investigados os crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro na construção da usina de Angra 3. O objetivo é desarticular a organização criminosa que atuava na Eletronuclear.

O nome da operação se refere à cidade ucraniana que se tornou uma espécie de “cidade fantasma” após o acidente nuclear em Chernobyl.


Delação

Em junho, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, afirmou à Justiça Federal, que durante sua gestão na presidência da Eletronuclear, pediu “contribuição política” para o PT e para o PMDB e “contribuição científica”. Segundo Nora, que é um dos 11 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato, Pinheiro pediu 1% para seus “projetos futuros”.

O ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, é acusado de ter recebido propina de ao menos R$ 4,5 milhões da Andrade Gutierrez e da Engevix sobre contratos de obras da Usina de Angra 3. Othon Luiz teria recebido valores por meio de empresas intermediárias, segundo o Ministério Público Federal. O almirante é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, obstrução da justiça e organização criminosa. Othon foi preso na 16ª fase da operação Lava Jato, chamada de Radioatividade.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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