Operação Lava Jato
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PF diz não ter restrição a quantidade de delações

Rafael Neves, Metro Jornal CuritibaO delegado da PF (Polícia Federal) Márcio Anselmo, que compõe a força-tarefa da Lava ..

Narley Resende - 11 de outubro de 2016, 08:10

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

O delegado da PF (Polícia Federal) Márcio Anselmo, que compõe a força-tarefa da Lava Jato, negou ontem que os investigadores queiram limitar eventuais novas delações premiadas, e que “não dá para ter dimensão” do alcance das investigações.

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O delegado foi questionado sobre este ponto após uma matéria do jornal Folha de S. Paulo, na semana passada, apontar que a PF estaria se posicionando contra o fechamento de novos acordos.

Segundo Anselmo, a investigação não trabalha com nenhum limite máximo de delações. “A gente não tem restrição quanto à quantidade, a gente tem restrição quanto à qualidade dessas colaborações”, diz Anselmo. “Pela grande quantidade de fatos, é natural que haja muitos colaboradores”.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), já são 70 delações firmadas, mas os rumos da investigação sugerem que ele pode aumentar: a colaboração da empreiteira Odebrecht, por exemplo, envolve dezenas de executivos do grupo e deve expandir a apuração de crimes em várias frentes, o que abre a possibilidade de novos delatores surgirem.

Como a Lava Jato revelou, a Odebrecht tinha um sistema para pagar propinas a dezenas de beneficiários disfarçados por codinomes. Mais de 50 obras suspeitas,tocadas pela empresa já foram identificadas, e Anselmo acredita que ainda não se pode prever se será possível apurar cada caso.

“A gente tem tentado, mas ainda não dá para ter dimensão do tamanho. Até pelo porte da empresa e pela quantidade de pessoas envolvidas, não dá para se ter nem ideia do tamanho desse grupo de investigados”, avalia.

Delegado lança hoje livro sobre colaboração

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803705784_105877O delgado Márcio Anselmo lança hoje em Curitiba o livro “Colaboração Premiada - o novo paradigma do processo penal brasileiro”.

Com prefácio do juiz Sérgio Moro, a obra é de cunho jurídico e voltada a delegados, procuradores e operadores do direito que podem utilizar a colaboração premiada.

“Eu tinha sempre o costume de ler as decisões do Supremo, até em razão do trabalho aqui , e aí acabei sistematizando e montando o livro mais ou menos em cima dessas decisões”, diz.

Na capital paranaense, o lançamento será às 19h na Escola de Polícia (R. Tamoios, 1200).