PF diz que algemou mãos e pés de Cabral por segurança

Narley Resende


Com Juliana Goss, BandNews FM Curitiba

A Polícia Federal (PF) se manifestou nesta segunda-feira (22) a respeito do pedido do juiz Sérgio Moro de esclarecimentos a respeito do uso de algemas nos pés e nas mãos do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, durante a escolta para realização de exames no Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba, na última sexta-feira (19).

Segundo documento assinado pelo chefe do Núcleo de Operações da PF do Paraná, José Chastalo, o uso das algemas era necessário pois muitas pessoas – entre elas jornalistas – acompanharam a escolta de Cabral até o IML. Além disso, segundo o texto, profissionais da imprensa chegaram a fazer perguntas que poderiam desencadear agressão como “por que o senhor roubou tanto?” e “o senhor vai devolver o dinheiro ao Rio de Janeiro?”.

De acordo com a PF, na escolta foram utilizados ainda um cinto de contenção e um marca passo para evitar tanto que o preso fosse agredido quanto que ele agredisse alguém.

Em despacho, Moro considerou que a PF esclareceu as razões da utilização das algemas, já que neste caso ela teria sido necessária devido ao contexto dos fatos. O magistrado destacou ainda que, diante da repercussão do episódio, houve recomendações internas na corporação para se observar a Súmula Vinculante 11 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que as algemas só devem ser utilizadas em casos de resistência do preso e de receio de fuga ou perigo à integridade física do agente e de terceiros.

O juiz ponderou afirmando que, em conduções anteriores de presos da lava jato – inclusive de Sergio Cabral – a Polícia Federal já evitava o uso de algemas em pés e mãos. Não raro presos foram conduzidos até mesmo sem elas. Na semana passada, a defesa de Sérgio Cabral chegou a emitir uma nota sobre o assunto chamando de “crueldade e espetáculo” a escolta do ex-governador com as algemas nas mãos e nos pés. Sérgio Cabral foi denunciado 20 vezes pelo Ministério Público Federal.

Ele também já foi condenado duas vezes pela Justiça Federal do Rio e de Curitiba. A pena, até agora, é de 72 anos. As condenações são por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

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