PF e Secretaria de Segurança do Paraná pedem a Moro adiamento do depoimento de Lula

Fernando Garcel


A Polícia Federal (PF) e a Polícia Militar do Paraná protocolaram no final da tarde desta segunda-feira (24) um pedido para que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, adie o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O interrogatório que marcaria o primeiro encontro entre Lula e o magistrado estava marcado para acontecer na próxima quarta-feira (3).

Lula é réu na ação penal que investiga o suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas pela empreiteira OAS no triplex do Condomínio Solaris, no Guarujá.

Segundo a PF, a mudança de data ocorre para que seja possível organizar a segurança na sede da Justiça Federal. “Esta Superintendencia Regional vem solicitar a Vossa Excelencia mais tempo para realizar as tratativas com os órgãos de segurança e de inteligência para a audiência que será realizada”, solicitou o delegado Rosalvo Franco.

Na mesma linha, o Secretario de Estado da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, solicitou mais prazo para organizar as forças policiais tendo em vista o feriado do Dia do Trabalhador e os possíveis deslocamentos de movimentos populares para Curitiba.

O juiz Sérgio Moro ainda não se manifestou sobre os pedidos.

 

> Ato pretende reunir pessoas de todo o país em apoio a Lula durante depoimento em Curitiba

Pelas redes sociais, já são mais de duas mil confirmações. Mas os organizadores esperam até 50 mil pessoas em Curitiba. Eram previstas atividades como acampamento da democracia, aula pública sobre a Lava Jato, atos políticos e vigílias. No dia do depoimento, a concentração será mantida no centro e não em frente à Justiça Federal.

Por outro lado, movimentos de apoio à Lava Jato e ao juiz federal esperam a vinda de caravanas de pelo menos sete estados, como Minas Gerais e São Paulo. De acordo com Narli Resende, uma das responsáveis pelo acampamento montado na Praça Pedro Alexandre Brotto, em frente à Justiça Federal, a ideia é reunir os manifestantes o mais próximo possível para apoiar Moro.

“Nós estamos organizando a ‘onda verde e amarela’ para homenagear o Brasil e o juiz Sergio Moro nessa data histórica. Vamos ficar o mais perto possível, respeitando os limites estabelecidos pelas autoridades de segurança pública”, afirmou Narli.

Ação penal contra Lula

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá.

Além de Lula, são réus na ação penal o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Tarcisio Okamoto, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e o engenheiro da empreiteira Paulo Gordilho.

Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

Paulo Tarcisio Okamoto foi indiciado por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele recebeu vantagens indevidas entre 2011 e 2016 que totalizaram mais de R$ 1,3 milhão do empreiteiro Léo Pinheiro.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, é acusado por corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado a Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS, para a realização das obras e trasporte e armazenamento dos bens do casal. O total pago em vantagens indevidas chegaria a R$ 2.430.193.

Paulo Gordilho teria atuado diretamente no pagamento de propina junto a Léo Pinheiro. Foi indiciado pelos crime de corrupção ativa.

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