PF indicia ex-governador Sérgio Cabral e outras duas pessoas na Lava Jato

Fernando Garcel


A Polícia Federal (PF) de Curitiba indiciou na manhã desta quarta-feira (14) o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), o ex-secretário de Governo Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho e Carlos Emanuel de Cavalho Miranda apontado como operador do esquema de propinas.

O inquérito da PF foi concluído na terça-feira (13) e os três passam a ser investigados por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa no âmbito da Operação Lava Jato.

> Confira o indiciamento na íntegra

De acordo com a Procuradoria da República, o ex-governador do Rio recebeu cerca de R$ 2,7 milhões da empreiteira Andrade Gutierrez como pagamento de propina por obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás, entre 2007 e 2011. O valor seria referente a 1% do contrato firmado entre a empreiteira pelas obras de terraplanagem do complexo.

No indiciamento, a PF cita o depoimento de delação do executivo da empreiteira Rogério Nora de Sá. “O governador solicitou pagamento de propina mensal, no valor de trezentos cinqüenta mil reais título de ‘adiantamento’, como forma de acelerar quitação dos débitos estaduais com empreiteira. […] O governador solicitou, nessa ocasião, nova propina, esclarecendo havê-la combinado com Paulo Roberto Costa, no valor de 1% das obras de terraplanagem do COMPERJ”.

A PF também indiciou o ex-secretário de Governo Wilson Carlos e Carlos Emanuel de Cavalho Miranda. Todos vão ser investigados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Carlos Miranda é apontado pelos um dos operadores do esquema supostamente liderado por Cabral entre 2007 e 2014. De acordo com a PF, Miranda esteve na sede da Andrade Gutierrez, em São Paulo, no dia 14 de outubro de 2008, no mesmo dia em que Alberto Quintaes, gerente de obras da empreiteira no Rio de Janeiro, efetuou pagamentos em espécie ao operador. Em delação, Quintaes apresentou planilhas com registros de pagamentos informais feitos a Sérgio Cabral, por intermédio de Miranda, que somam mais de R$ 7,7 milhões, entre eles R$ 2,7 milhões relacionados a contratos da Comperj.

Operação Calicute

O ex-governador do Rio está preso desde o dia 17 de novembro após a deflagração da Operação Calicute, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. A operação tem como objetivo investigar o desvio de recursos públicos federais em obras realizadas pelo governo do Rio de Janeiro. O prejuízo estimado é superior a R$ 220 milhões. Cabral ficou preso no Rio e foi transferido por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, após suspeitas de que ele estaria recebendo visitas irregulares, para a carceragem da PF em Curitiba no último sábado (10).

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As investigações apontam que o ex-governador chefiava o esquema de corrupção e pagamento de propina nas obras tocadas pela empreiteira Andrade Gutierrez. Além de Cabral, dez pessoas foram presas no dia da operação e, nesta semana, a advogada Adriana Ancelmo, mulher de Cabral, também foi detida.

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