PF tenta negar acesso ao ‘HD da propina’, diz defesa de Lula

Narley Resende


A defesa do ex-presidente Lula protocolou nesta quarta-feira, uma petição ao juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, porá questionar a forma como a Polícia Federal planeja fazer a perícia nos sistemas da Odebrecht denominados Drousys e MyWebDay.

Segundo os advogados de Lula, o juiz ‘negou acesso a esses sistemas, mas mandou a PF realizar uma perícia. De acordo com a petição, na decisão de Moro, os assistentes técnicos nomeados por Lula poderiam acompanhar toda a perícia. A PF, no entanto, quer rever isso. (Veja a íntegra da petição).

“Especificamente no tocante aos técnicos indicados pela Odebrecht, como ela é a detentora do sistema e prestará auxílio constante à equipe de peritos, não vislumbramos óbice no acompanhamento dos exames internamente. (grifou-se)”, escreveu o delegado da PF em ofício.

“Os policiais querem apenas que o Ministério Público Federal e os profissionais indicados pela Odebrecht estejam presentes”, aponta a defesa. Os advogados do ex-presidente pedem que ‘seja revista a forma da realização da perícia’ e que seja permitido ‘que o assistente técnico da defesa possa acompanhar todos os atos e possa ter acesso à íntegra dos sistemas e não apenas aos elementos separados pela acusação e demais órgãos de persecução do Estado”, diz a defesa de Lula.
Também na quarta-feira, o juiz Sérgio Moro deu prazo de 30 dias para que a Polícia Federal tome as “providências necessárias” para finalizar a perícia da planilha chamada de “Programa Especial Italiano”.

De acordo com o juiz, o arquivo com a planilha está sob os cuidados da PF, em Curitiba. Em despacho desta quarta-feira, Moro pede que a Polícia Federal identifique a data e horário em que foi feita a inscrição de uma fórmula matemática que demonstra que a negociação do apartamento do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo (SP) e da sede do Instituto Lula envolveu dinheiro de propina da Odebrecht. Além disso, o juiz quer saber quem inseriu na planilha os registros de pagamentos.

A planilha faz parte dos sistemas Drousys e My Web Day, que contém registros de vantagens indevidas que teriam sido pagas pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht a agentes públicos e políticos como Lula e o ex-ministro Antônio Palocci.

O pedido foi feito na segunda ação penal em que o petista responde, em Curitiba, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A planilha estava no mesmo registro de valores do “Amigo”, codinome de Lula. Segundo a Lava Jato, ela representa o cálculo de gastos que a construtora teria com o apartamento e com o terreno onde seria sediado o Instituto.

No documento constam R$ 12 milhões e 400 mil que, segundo a acusação, teriam sido destinados ao petista. Após a conclusão das perícias, Sérgio Moro abre prazo para as últimas alegações de acusação e defesa nesta ação penal. Lula, Palocci, Marcelo Odebrecht e mais cinco pessoas são acusadas neste processo.

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