Planilha indica 44 obras ligadas a lobista do PMDB

Andreza Rossini

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

A Justiça revelou uma planilha com 44 obras da Petrobras em que Bruno Luz, filho do lobista Jorge Luz, teria “atuado”, possivelmente para operar repasses de propina.

Presos na 38ª fase da Lava Jato, em fevereiro, Jorge e Bruno Luz foram denunciados pelo MPF (Ministério Público Federal) na última sexta. Eles são acusados de repassar US$ 55,5 milhões (cerca de R$ 173 milhões no câmbio atual) em propinas a ex-dirigentes da Petrobras e políticos do PMDB, como os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho – ambos os parlamentares negam as suspeitas.

Entre os indícios que embasam a prisão de Jorge e Bruno Luz, o MPF anexou uma planilha que foi apreendida na casa de Othon Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear, condenado em agosto do ano passado a 43 anos de prisão na Justiça Federal do Rio por desvios na construção da usina nuclear de Angra 3.

A relação entre Othon e os lobistas Bruno e Jorge Luz já era investigada desde a prisão de Othon em 2015, na 16ª fase da Lava Jato. Já se sabia que em 2010 uma empresa dos lobistas, a Dema Participações, depositou R$ 276 mil à Aratec, empresa de Othon que, segundo a Justiça, era usada para receber propinas. Esta planilha estava em um HD na casa de Othon, dentro de uma pasta com o nome “BL [que o MPF suspeita ser Bruno Luz] assuntos”.


“No documento, aparecem inúmeras obras relacionadas à Petrobras em que o lobista [Bruno Luz] atuou”, ou seja, operou repasses de propina, segundo o MPF. Entre os contratos que aparecem na lista, alguns – como a venda de asfalto à Petrobras pela empresa norte- -americana Sargeant Marine – já são alvo de denúncias. A maioria, porém, ainda não havia aparecido nas investigações.

Vários são da diretoria internacional da Petrobras [área de influência do PMDB, segundo a Lava Jato] e envolviam multinacionais. A defesa de Bruno Luz foi procurada, mas não comentou o assunto. Em 2015, ele havia ficado em silêncio diante da PF. Desta vez, o depoimento está em sigilo porque envolve pessoas com foro privilegiado.

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