Diretor-geral da PF não apoia delegados responsáveis pela Lava Jato, diz presidente da ADPF

Andreza Rossini


O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Miguel Sobral, afirmou nesta segunda-feira (13) que os delegados responsáveis pela Operação Lava Jato na Polícia Federal (PF) não tinham apoio do diretor-geral da instituição, Leandro Daiello. “Os colegas que estiveram com essa operação [Lava Jato] não tiveram apoio necessário desde o início”, disse em entrevista à BandNews Curitiba.

Uma das principais motivações dos delegados para pedir a saída de Daiello são as transferências envolvendo peças-chave de investigações importantes. “Quando falta investimento e a investigação passa a ser difícil para quem está nela, gera esgotamento e até o afastamento da equipe. A Lava Jato tinha quatro pilares, no ano passado dois delegados foram descontinuados apesar de quererem permanecer e, sem seguida, saiu a especialista [da PF] no combate a corrupção. Nós vimos a desconstrução da equipe. Agora saiu o Márcio Asnselmo, o último pilar”, disse.

Segundo Sobral, a troca de delegados dificulta a operação. “Uma investigação como a Lava Jato tem conhecimento acumulado de vários anos, qualquer delegado que for assumir a operação vai levar pelo menos um ano para conseguir o conhecimento necessário. Além disso, tem uma equipe de policiais que precisa ser selecionada para participar do caso e a troca desses policiais desgasta a investigação”, disse.

O pedido de afastamento de Leandro foi encaminhado hoje ao presidente Michel Temer. Ainda segundo Sobral, 72% dos delegados foram favoráveis a saída de Daiello.

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