Presos da Lava Jato fazem exame no IML de Curitiba

Andreza Rossini


Os sócios da empresa Credencial, construtora de Súmare (SP), Flávio Henrique de Oliveira Macedo e Eduardo Aparecido Meira, presos na 30º fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, fizeram exame de corpo de delito, no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, na manhã desta quarta-feira (25). Os empresários são apontados pelo Ministério Público Federal (MPF) como responsáveis pela empresa de fachada, que servia para intermediar os repasses de propina envolvendo a Petrobras.

Após o exame, que é padrão após a prisão, os presos voltaram para a carceragem da PF. Eles estão detidos em caráter preventivo, ou seja, por tempo indeterminado.

Investigações

Segundo o MPF, a 30ª fase da Operação da Lava Jato, batizada de vício, revela a extensão do esquema de corrupção em mais um segmento da Diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobras. Os alvos dessa fase são grandes empresas fornecedoras de tubos para a estatal, incluindo alguns de seus executivos e sócios, um escritório de advocacia utilizado para o repasse de dinheiro, dois funcionários da Petrobras e operadores financeiros.

As investigações identificaram que uma construtora de fachada foi utilizada para viabilizar o pagamento de propina em diversos esquemas criminosos investigados na Operação Lava Jato, mediante a celebração de contratos ideologicamente falsos. Os fatos foram apontados inicialmente por réus colaboradores, que também pagaram propina à Diretoria de Serviços da Petrobras por meio da empresa investigada. O aprofundamento das investigações, com o auxílio da Receita Federal, da Polícia Federal, da Petrobras e do escritório de investigação autônoma contratado pela estatal, levou à confirmação de que a propina tinha origem em uma grande fornecedora de tubos para a Petrobras. Os sócios da construtora de fachada tiveram sua prisão preventiva decretada pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Outra grande fornecedora de tubos para a Petrobras também é alvo da operação realizada nesta data, em razão de fortes suspeitas de que tenham pago propina a partir de seus contratos na Diretoria de Serviços. Para ocultar os rastros da propina, a empresa utilizou-se de transferências no exterior para uma offshore controlada por operador financeiro.

Há fortes indicativos da participação do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e do ex-diretor de Engenharia da Petrobras, Renato Duque, nos ilícitos. Ambos foram recentemente condenados pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, no âmbito da ação penal 5045241-84.2015.4.04.7000, vinculada à Operação Lava Jato, a penas de 23 anos e 10 anos de prisão, respectivamente. Foi a segunda fez que José Dirceu foi condenado por crimes de corrupção – em 2012, ele foi condenado no mensalão. Renato Duque também já foi condenado em outras duas ações penais, de modo que a totalização de suas penas hoje soma o montante de 50 anos, 11 meses e 10 dias de prisão. Dois funcionários da Diretoria de Serviços da Petrobras também são alvos de condução coercitiva, em razão da existência de indícios de seu envolvimento nos fatos.

Os contratos já celebrados pela Petrobras com duas das fornecedoras de tubos que efetuaram pagamentos de vantagens ilícitas para obter vantagens junto à Diretoria de Serviços da Estatal totalizam montante superior a R$ 5 bilhões. Evidências denotam que o pagamento de propinas no interesse desse esquema criminoso perdurou pelo menos entre os anos de 2009 e 2013, sendo que os valores espúrios pagos, no Brasil e no exterior, superam a quantia de R$ 40 milhões.

Repescagem

A 29ª fase foi deflagrada nesta segunda-feira (23) e prendeu o ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP), João Claudio Genu, e o sócio dele, Lucas Amorim Alves. Os dois são suspeitos de receber propina no esquema de corrupção na Petrobras.

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