Prisão de Cabral pode respingar em Pezão

Roger Pereira


A prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, nesta quinta-feira, em mais uma fase da Operação Lava Jato, pode ter desdobramentos que afetem o atual governador fluminense, Luiz Fernando Pezão. Ao lado de Cabral, Pezão é investigado em inquérito no Superior Tribunal de Justiça que investiga dinheiro de caixa 2 na reeleição de Cabral, em 2010, tendo Pezão como seu vice. As provas produzidas pela Operação Lava Jato têm sido compartilhadas nessas investigações. O processo, iniciado em janeiro de 2015, mas está parado desde março deste ano com vista para o Ministério Público Federal.

Autuado em 15 de janeiro de 2015 como Sindicância 456 e rebatizado como Inquérito 1.040, o processo tramita na Corte Especial do STJ e já conta com seis volumes e quase 1.500 páginas. Em 12 de março do ano passado, o ministro Luis Felipe Salomão (relator escolhido por sorteio) deu andamento às investigações solicitadas pelas autoridades policiais e pelo MPF, e recebeu 28 petições.

O inquérito teve origem em informações reveladas pela delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. O MPF encaminhou ao STJ o pedido de abertura de inquérito contra autoridades que, em 2010, teriam recebido dinheiro de caixa 2 para custear a campanha da reeleição de Sérgio Cabral ao governo do Rio de Janeiro.

O dinheiro seria oriundo de empresas que atuavam em obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), num total de R$ 30 milhões – dos quais R$ 15 milhões teriam sido arcados pelo Consórcio Conpar. Uma reunião para acertar o repasse teria supostamente ocorrido em janeiro de 2010, em um hotel em Ipanema, no Rio.

Durante as investigações, foi quebrado o sigilo telefônico de 13 pessoas supostamente envolvidas. Naquela decisão, o ministro Salomão destacou que, havendo indícios da prática de crime, “o direito fundamental à intimidade deve ceder ao interesse público no sentido de permitir a realização da prova mediante autorização judicial”. Também foi autorizada a quebra de sigilo bancário.

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Repórter do Paraná Portal
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