Prisão de Jorge Zelada completa um ano neste sábado

Narley Resende


A prisão do ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada completa um ano neste sábado, 2 de julho. Zelada foi preso durante a 15ª fase da operação Lava Jato, que foi batizada de Conexão Mônaco, em alusão aos mais de dez milhões de euros bloqueados em contas que o ex-diretor mantinha no Principado.

O ex-dirigente já foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na época em que foi detido, os procuradores do Ministério Público Federal disseram que a prisão de Zelada completou a “camarilha dos quatro” que comandava os desvios na estatal. Integravam o grupo: os ex-diretores Jorge Luiz Zelada, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, e Renato Duque.

No último dia 21 de junho, por decisão foi unânime, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou pedido de liberdade feito pela defesa do ex-diretor que alegou no Supremo que o decreto de prisão assinado pelo juiz federal Sérgio Moro não apresenta fundamentos para manter Zelada preso preventivamente.

jlz
TV Band Curitiba

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), Zelada e Eduardo Musa, ex-gerente da Petrobras, aceitaram receber propina de US$ 31 milhões para favorecer a contratação, em janeiro 2009, de uma empresa de afretamento de navios-sonda.

Zelada substituiu Cerveró na área Internacional em 2008 e deixou o cargo em abril de 2012, dois meses depois de Graça Foster assumir a presidência da empresa e promover mudanças na gestão. No mesmo período, Paulo Roberto Costa e Renato Duque também deixaram a Petrobras. Jorge Zelada permanece preso na carceragem do Complexo Médico Penal, na região de Curitiba, com outros 11 réus da Lava Jato.

Temer

Em novembro de 2015, o então vice-presidente da República, Michel Temer, divulgou uma nota em que repudia as declarações do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que havia sido preso naquele mês, e afirmado que Temer indicou Zelada à diretoria da Petrobras. Temer nega relações de proximidade com Zelada.

O senador Delcídio do Amaral havia sido preso pela Polícia Federal acusado de estar atrapalhando as investigações da Operação Lava Jato. Em depoimento prestado à PF, Delcídio teria dito que Temer e Zelada têm relações próximas, mas não detalhou que relações seriam essas.

De acordo com a assessoria de imprensa de Temer, que era presidente nacional do PMDB, ele não indicou Zelada, nem trabalhou por sua manutenção no cargo.

“Em 2007, o senhor Jorge Zelada foi levado à presidência do PMDB por estar sendo indicado para cargo na Petrobras, ocasião em que foi apresentado a Michel Temer. Portanto, o presidente do PMDB nega qualquer relação de proximidade com Zelada e repudia veementemente as declarações do senador Delcídio do Amaral”, informa a nota.

 

Previous ArticleNext Article