Procurador da Lava-Jato diz que revista quis causar mal-estar entre MPF e STF

Redação


O procurador da república Carlos Fernando do Santos Lima afirma que a troca de farpas entre o Ministério Público (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) é apenas “uma crise” entre tantas outras que ocorreram e que ainda vão ocorrer, segundo ele, durante as investigações da Operação Lava Jato.

Os dois órgãos trocaram acusações motivados pelo cancelamento da negociação da delação premiada do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) não confirma, mas suspeita-se que tenha cancelado o acordo por conta de vazamentos de trechos da delação divulgados pela revista Veja.

Lima disse que não chegou a ler a reportagem porque, na opinião dele, o assunto “não tem o menor cabimento”.

Segundo a revista, o ministro teria contratado uma empresa indicada por Léo Pinheiro para uma obra, foi custeada com recursos do próprio Toffoli. Não há menção a pagamentos ilícitos.

Pelo fato de a reportagem não denunciar nenhum tipo de crime, o procurador afirma que a única intenção da publicação era causar mal-estar entre o Ministério Público e o STF.

“Uma crise artificial forçada por uma reportagem, me desculpem, mas eu não li a reportagem, porque tenho esse hábito de evitar o assunto que vai me estressar, pra manter a sanidade durante esse período. Eu evito ler uma coisa que sei que não tem o menor cabimento. Quem a reportagem me disse que é sobre um fato não criminoso. Um fato envolvendo um ministro do Supremo”, disse.

Integrante da Força-Tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal, Santos Lima deu essas declarações durante uma palestra que apresentou em Curitiba nessa quinta-feira. Ele também comentou sobre as motivações de crimes financeiros e de corrupção.

Na opinião dele, esquemas como o descoberto na Petrobras acontecem com o objetivo de financiar campanhas eleitorais. O procurador defende uma reforma política.

“Não adianta mudar a lei penal, enquanto tivemos uma política tão cara. Rouba-se para fazer política, roubasse para fazer campanha eleitoral, muito mais do que para enriquecimento pessoal, roubasse para fazer política”, reafirma.

A palestra “Pensando o Brasil” foi apresentada no Graciosa Country Club, com a mediação da jornalista da BandNews FM Curitiba Lenise Klenk. O evento foi organizado pela UniBrasil.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="381709" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]