Operação Lava Jato
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Procurador da República recomenda que funcionários da Petrobras colaborem com a investigação

BandNewsCuritibaO procurador da República Roberson Pozzobon, membro da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público F..

Jordana Martinez - 29 de março de 2017, 14:03

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O procurador da República Roberson Pozzobon, membro da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), fez uma espécie de convite para que os funcionários públicos da Petrobras envolvidos no esquema de desvios da estatal colaborem com a investigação. De acordo com o procurador, há outras linhas de investigação que estão em andamento e que podem atingir outras gerências e áreas da estatal. Com essa afirmativa, Pozzobon recomendou que os agentes públicos delatem antes que sejam alvos diretos de novas operações.

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"O raciocínio que deve ser adotado por gerentes, diretores, profissionais públicos da Petrobras que praticaram delitos é que não fale a pena ocultar o patrimônio ilicitamente auferido. Talvez o caminho adequado para eles é, antes que apareçam nas denúncias, eles procurem as autoridades e devolvam o dinheiro e, por meio de um acorde de colaboração premiada, acertar sua situação com a justiça", aconselhou.

Preso preventivamente na 39ª fase da operação Lava Jato, o ex-gerente da área de serviços da Petrobras, Roberto Gonçalves, já havia sido alvo de um mandado de prisão temporária em novembro de 2015 mas, à época, foi solto por falta de provas. Desta vez, para embasar o pedido de prisão do ex-gerente, a Polícia Federal usou informações repassadas por quatro delatores da Lava Jato. Um deles foi o executivo da Odebrecht, Rogério dos Santos Araújo, que em depoimento recente à força-tarefa em Curitiba informou que um consórcio formado por Odebrecht, UTC e Mendes Júnior repassou cinco milhões de reais a Gonçalves. Araújo ainda revelou que o ex-gerente repassava informações sigilosas à empreiteira sobre outros contratos da Petrobrás.

" Foi dado a ele a oportunidade de esclarecer os fatos, na qualidade de colaborador que é, apresentando sua versão sobre os fatos antes da deflagração ostensiva da fase. A versão que foi apresentada por ele se conectou com os demais elementos de prova já obtidos e foi interessante o fato de que as colaborações que foram celebradas pelas pessoas que trabalhavam no entorno de Roberto Gonçalves, permitiram verificar a exata dimensão de sua participação", explicou.

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Roberto Gonçalves foi delatado por pelo menos quatro colaboradores da Lava Jato. O ex-gerente da Petrobras deve ser trazido a Curitiba amanhã (quarta). Gonçalves vai ficar detido na superintendência da Polícia Federal com outros 10 presos da Lava Jato.