Propina em CPI era prática constante, diz Delcídio

Roger Pereira


O ex-senador Delcídio Amaral, cassado depois que teve divulgadas gravações em que atuava para tentar obstruir a Justiça na Operação Lava Jato, disse, nesta sexta-feira, ao juiz federal Sérgio Moro que a cobrança de propina para que possíveis alvos de CPIs não fossem convocados a depor era uma prática comum do Congresso Nacional.

Depondo pela primeira vez à Justiça Federal do Paraná, como testemunha no processo contra o ex-senador Gim Argello, Delcídio disse que declarou, em sua delação premiada que Argello e outros membros da CPMI da Petrobras de 2014, como o deputado Marco Maia e o ex-senador Vital do Rêgo cobraram empreiteiros para não convocá-los, porque ouviu dos próprios empresários relatos das reuniões com a cúpula da CPMI e confissões de que aceitaram fazer contribuições eleitorais ao bloco parlamentar de Argello para serem blindados na CPMI.

“Tive, através de Júlio Camargo (Toyo Setal) e Ricardo Pessoa (UTC), a informação a informação de que eles estavam negociando com membros da CPI formas de se evitar a aprovação de requerimentos para suas convocações. Eles se mostraram, num primeiro momento, revoltados com a situação. Mas depois, infelizmente, acabaram aceitando pagar”, contou. Na quinta-feira, o próprio Júlio Camargo confirmou o pagamento a Argello.

    • Leia Também:

http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/mais-empreiteiros-confirmam-cobranca-de-argello/

Delcídio frisou que a situação não é específica deste caso. “Existem antecedentes de negociações de doações de campanha por conta de CPIs, trocando doações para eleições por convocações ou não de determinadas pessoas, neste caso, empresários. Conversas iguais a essa aconteceram na CPI com o mesmo tema em 2010, como a própria Lava Jato já comprovou”, disse.

Questionado se seu conhecimento sobre o caso era apenas por ter ouvido dos empresários, ele disse que, no Senado, o assunto era recorrente. “Apesar de eu ter ficado sabendo por essas pessoas, essas informações já estavam disseminadas no Senado, a gente ouvia intensamente. Essa CPI é apenas um caso, e quando essas coisas começam a acontecer, não tenha dúvida que não é fumaça. Tem alguma coisa concreta por trás desses rumores”, disse.

Com as confissões dos próprios empreiteiros em depoimentos anteriores, a audiência de hoje com Delcídio pouco deve acrescentar ao processo, apesar da grande expectativa que seu primeiro depoimento à Justiça Federal gerou. “Esse caso envolve esse objeto específico que é a acusação de pagamento de valores a Gim Argello. Sabemos que sua colaboração vai além disso. Não sei se o senhor veio com a expectativa de falar mais, mas, hoje, o objeto é só esse”, deixou claro o juiz Sérgio Moro ao final da audiência.

Previous ArticleNext Article
Repórter do Paraná Portal
[post_explorer post_id="367933" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]