Propina em obra da Petrobras pagou escola de samba, diz Polícia Federal

Andreza Rossini


A propina com origem em uma obra da Petrobras no Rio de Janeiro bancou uma escola de samba, blog e familiares do ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, de acordo com os investigadores da força-tarefa da Lava Jato.

A investigação tem como principal objetivo apurar as fraudes no processo de licitação, o pagamento de propina a servidores da Petrobras e o repasse de recursos para partidos políticos envolvendo a obra do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). São investigados os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e fraude a licitação.

Ele usava contas de parentes para receber os recursos, um blog no qual publicava notas favoráveis à sua atuação política e também uma escola de samba de Porto Alegre para receber o dinheiro.

Segundo os investigadores, Romano apresentou talões de cheque que comprovam o pagamento de R$ 2 mil ao próprio Ferreira e outros R$ 3,5 mil a seus dois filhos. Valores diversos foram pagos a assessores da tesouraria do PT e, segundo as investigações, também a uma servidora da Casa Civil da Presidência da República.

No despacho em que o juiz Sergio Moro autoriza a prisão preventiva de Ferreira, consta que o blog do advogado Júlio Garcia, na qual há publicações favoráveis a Paulo Ferreira, recebeu R$ 6 mil por meio de cheque nominal. Outros R$ 45 mil foram pagos à escola de samba Estado Maior da Restinga, também por meio de cheques.

A informação sobre a utilização do dinheiro, aproximadamente R$ 1 milhão, veio do acordo de colaboração premiada do ex-vereador Alexandre Romano com o Ministério Público Federal (MPF), de acordo com os investigadores. Ele foi detido no ano passado no âmbito da Lava Jato. Romano afirmou que intermediou o pagamento de propina para Ferreira utilizando as empresas dele: Avant Investimentos e Participações, Link Consultoria Empresarial e a Oliveira Romano Sociedade de Advogados.

Ainda segundo o delator, o dinheiro veio de construtoras como a OAS e Carioca Engenharia, integrantes do consórcio Novo Cenpes.

Ferreira e principal alvo da 31ª fase da operação, batizada de Abismo, deflagrada nesta segunda-feira (4). Ele já havia sido preso no último dia 23, quando foi deflagrada a operação Custo Brasil. Entre os beneficiários dos repasses feitos por ele está a Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga, escola de Samba de Porto Alegre. A agremiação recebeu cerca de R$ 45 mil e a madrinha da escola, Viviane Rodrigues, vários outros repasses.

Abismo

A 31ª fase da Lava Jato identificou o pagamento de R$ 39 milhões em propina, sendo que Paulo Ferreira foi beneficiado diretamente com R$ 1 milhão. O dinheiro vinha de uma fraude em licitação para a reforma do Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro.

Além de fraude na licitação, houve pagamento de propina a funcionários da diretoria de Serviços da Petrobras e ao ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira.

A força-tarefa cumpre 35 ordens judiciais, sendo 4 de prisão temporária, 1 de prisão preventiva, 7 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e depois é liberada) e 23 mandados de busca e apreensão. Cerca de 110 Policiais Federais e 20 agentes da Receita Federal cumprem os mandados judiciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

A nova fase recebe o nome de “Abismo”, uma referência às tecnologias para exploração de gás e petróleo em águas profundas desenvolvidas no CENPES. Segundo a PF, o nome também demonstra que os esquemas como os que são investigados na Operação Lava Jato levaram a Petrobras ao “Abismo” da corrupção e mau uso do dinheiro público.

Quatro dos cinco presos são trazidos para Curitiba ainda nesta segunda-feira (04). A exceção é o ex-tesoureiro do PT, que já está detido em São Paulo.

Com informações da Agência Brasil

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