“Prova frágil” deixa Odebrecht fora de ação em que Gim Argello virou réu

Narley Resende


Já condenado a 19 anos de prisão, o empreiteiro Marcelo Odebrecht é réu em outros dois processos da Lava Jato, mas escapou nessa terça-feira (10) de uma terceira ação penal, referente à 28ª fase da Operação Lava Jato.

Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal com os demais empresários, mas o juiz Sérgio Moro entendeu que a prova é “demasiadamente frágil”: um depoimento de um funcionário de outra empresa (Andrade Gutierrez) e uma doação de R$ 200 mil ao partido PR, que pode ou não ser a propina citada na denúncia.

Na mesma ação penal, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) e mais oito pessoas foram transformados ontem em réus após o juiz Sérgio Moro aceitar denúncia contra o grupo feita na última sexta-feira (6) pelo MPF.

Argello foi preso há um mês na 28ª fase da operação, suspeito de cobrar propina das empreiteiras OAS e UTC para não convocar os executivos a depor na CPMI da Petrobras em 2014, da qual ele era vice-presidente.

Nas investigações, a força-tarefa da Lava Jato descobriu que outras cinco empresas —Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Odebrecht e Toyo Setal — também foram “abordadas” por Argello.

O ex-senador tentava, segundo as investigações, arrecadar mais de R$ 30 milhões para campanhas de 2014 com a chantagem. Em geral, Argello tentou obter R$ 5 milhões de cada empreiteira.

Três construtoras (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Engevix), segundo a denúncia, se recusaram a pagar. De resto, a investigação mapeou que o ex-senador recebeu pelo menos R$ 7,75 milhões: foram R$ 5 milhões da UTC, R$ 2,2 milhões mais 200 mil Euros da Toyo, R$ 350 mil da OAS e R$ 200 mil da Odebrecht.

A maior parte do dinheiro foi paga na forma de doações eleitorais registradas, especialmente para partidos da coligação “União e Força”, pela qual Argello se candidatou.

Legendas beneficiadas

As demais legendas da coligação (DEM, PMN, PR e PRTB) também foram beneficiadas, mas não há indícios de que soubessem do crime. O esquema foi relatado na delação do ex-senador Deicídio do Amaral (sem partido-MS), que disse ter ficado sabendo do arranjo a partir de alguns empreiteiros.

Segundo Deicídio, o ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), atual ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), e os deputados Marco Maia (PT-RS) e Fernando Francischini (SD-PR) também participaram da cobrança.

A partir da delação do ex-petista, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito contra Vital do Rêgo e Marco Maia, mas a citação a Frandschini foi arquivada após ser negada pelos outros envolvidos.

O advogado de Argello, Marcelo Bessa, informou que só falará nos autos.

Caso Furnas deve sair do `pacote’ Lava Jato no STF

O relator da lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Teori Zavascki, pediu ontem à presidência do tribunal que as denúncias relativas à estatal Furnas saiam do âmbito da Lava Jato e passem a tramitar em procedimento separado.

As informações sobre o caso foram tiradas da delação do senador Deicídio do Amaral (sem partido-MS), que acusou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB•RJ) de envolvimento no caso. Para Teori, a suspeita não tem conexão com o esquema da Petrobras.

(Com informações de Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba)

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