Representante da Toyo Setal admite propina também em plataformas

Roger Pereira


Depondo à Justiça Federal do Paraná após ter confessado que pagou propina à diretoria de serviços da Petrobras, especificamente ao ex-diretor Renato Duque e ao ex-gerente Pedro Barusco, para manter os contratos de obras de duas refinarias (Presidente Getúlio Vargas – Repar – no Paraná e Refinaria de Paulínia – Replan – em São Paulo), o empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, responsável pela empresa Toyo Setal admitiu, pela primeira vez, ao juiz federal Sérgio Moro, que pagou propina, também, pelos contratos das plataformas P-51 e P-52, dos quais sua empresa fez parte do consórcio vencedor da licitação.

Questionado pelo juiz federal Sérgio Moro sobre sua relação com o operador Zwi Skornicki, o depoente acabou revelando que, após vencer as licitações das plataformas acertou com Renato Duque o pagamento de propina de 2% do valor dos contratos através de um contrato firmado com empresas de Zwi. “Deste valor, metade ia para o próprio Zwi, e a outra metade para os dirigentes da Petrobras”, revelou.

Com acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal, Mendonça foi questionado por Sérgio Moro por que não havia citado esse caso anteriormente, “porque nunca fui perguntado, mas à Polícia Federal, eu já prestei tais informações”, disse. Moro informou desconhecer o teor desde depoimento à PF, mas evitou polemizar sobre a questão.

Sobre os contratos da Repar e Replan, ele reafirmou que acertou o pagamento de propina com Duque e Barusco, mas, durante o pagamento das parcelas, foi orientado a procurar o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para acertar doações eleitorais legais, que seriam descontadas da dívida de propina que tinha com os dirigentes da Petrobras. “Eu uma terceira oportunidade, ainda, foi me pedido que parte do pagamento fosse feito à Gráfica Atitude”, disse o delator, alegando, no entanto, nunca ter ouvido de Vaccari que o então tesoureiro do PT tinha conhecimento de que a doação tratava-se de propina.

Direcionamento de contratos de Sonda à Sete Brasil causou prejuízo à Petrobras

Também foi ouvida nesta quarta-feira pela Justiça Federal do Paraná, a advogada Paula Torres Rolim de Minto, que integrou a comissão interna de apuração da Petrobras relativa à contratação com a Sete Brasil. Ela afirmou que a companhia havia aprovado a contratação junto à Sete de sete sondas, mas “no meio do processo, Renato Duque determinou que se abrissem mais três lotes, elevando de sete para 28 o número de sondas contratadas”, contou. “Isso não passou pela diretoria da Petrobras e, pela comissão de licitação, a abertura de três lotes teria prejudicado a licitação, porque todos os estaleiros tinham interesse em contratar diretamente com a Petrobras e não ter os intermediários”, disse, afirmando que a comissão interna fez levantamento de preços junto aos estaleiros e constatou que, em alguns casos, a contratação direta poderia representar uma economia de até 24%.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal