“Resta Um” investiga caixa 2 na campanha de Lula à reeleição

Redação


(Com informações de Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil)

A 33ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (2), tem com um dos objetivos esclarecer denúncias de que a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu pagamentos ilegais, o chamado “caixa 2”, do consórcio Quip, que tinha contratos bilionários com a Petrobras.

O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, disse ao juiz Sergio Moro, no ano passado, que o consórcio Quip repassou R$ 2,4 milhões em dinheiro ao tesoureiro da campanha de reeleição de Lula, José de Filippi Júnior.

A operação desta terça-feira tem como alvo principal a empreiteira Queiroz Galvão, sócia majoritária do consórcio Quip, que firmou contratos bilionários com a Petrobras para a reforma e contrução de plataformas de extração de petróleo, como a P-53 e a P-55.

> 33ª fase da Lava Jato mira a construtora Queiroz Galvão
> Ex-presidente do PSDB teria recebido R$ 10 mi de empreiteira

“É uma investigação que ainda está em andamento em relação a reunir indícios, basicamente o que se tem é o relato de colaboradores de que em 2006 a Quip teria sido abordadada. Foram solicitadas doações eleitorais que, na verdade, seriam também um pagamento de vantagem indevida por conta da plataforma P-53”, disse a delegada da PF Renata da Silva Rodrigues.

Dois mandados de operação preventiva, tendo como alvo os ex-executivos da Queiroz Galvão Othon Zanoide e Idelfonso Colares, foram cumpridos hoje pela PF. O executivo da Quip Marco Pereira Reis teve decretada a prisão temporária, mas a ordem judicial ainda não foi cumprida por ele se encontrar no exterior.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Queiroz Galvão participava de um cartel, juntamente com outras construtoras, que fraudava licitações da Petrobras, garantindo o lucro das empreiteiras e causado prejuízo à estatal. Segundo investigações, os executivos da Queiroz Galvão pagaram propinas a funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento. Segundo o MPF, há provas documentais e depoimentos de colaboradores que comprovam o esquema.

Para a delegada Renata da Silva Rodrigues, integrante da força-tarefa, os valores movimentados são “bastante impressionantes”. A delegada afirma que houve propina disfarçada em doações eleitorais, contratos simulados com Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, entre outros.

Segundo a delegada, os valores somam mais de R$ 10 milhões – R$ 7,5 milhões em doações oficiais para campanhas, R$ 250 mil em um contrato simulado com o consórcio Ipojuca, R$ 1,2 milhão em contrato com a KFC Hidrossemeadura, contrato com a Costa Global, simulado por Paulo Roberto Costa, no valor de R$ 500 mil e com a Quip, de US$ 900 mil.

Haveria ainda uma dívida da construtora com Pedro Barusco, no valor de R$ 24 milhões – valor encontrado em notas do ex-gerente de serviços da Petrobras. Entre as obras que teriam tido fraude em contratos estão a Refinaria Abreu e Lima, Refinaria Vale do Paraíba, Refinaria Landulpho Alves e Refinaria Duque de Caxias.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="376343" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]