Réu da Operação Acarajé confirma depósito de propina em conta de offshore na Suíça

Redação


Da BandNews FM Curitiba

O ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos de Medeiros Ferraz, reafirmou em depoimento ao Juiz Sérgio Moro que recebeu quase dois milhões de dólares em propina de estaleiros que trabalhavam para a empresa na construção de sondas para explorar o pré-sal. O valor, segundo o executivo e delator da Lava Jato, foi depositado na Suíça em uma conta aberta em nome de uma offshore.

Ferraz é um dos acusados de uma ação penal decorrente da 23ª fase da operação, chamada de Acarajé. Ao todo, o processo tem seis réus que respondem pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Durante o interrogatório, o ex-presidente da empresa disse ainda que havia um acordo de pagamento de propina pelos estaleiros contratados pela Sete Brasil e afirmou que quem intermediava as negociações era o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco. “Esse esquema foi implantado pelo próprio Barusco, pelo que ele me informou, em conjunto com o João Vaccari. Os dois negociaram com os estaleiros o pagamento de uma comissão de 0,9% sobre o total contratado. Esse valor seria distribuído em três partes, sendo que dois terços ia para o PT e o um terço restante era dividido igualmente entre diretores da Petrobras e executivos da Sete Brasil”.

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Eduardo Costa Vaz Musa, também prestou depoimento na condição de réu do processo. Depois que saiu da estatal, ele foi convidado a assumir um cargo na empresa Sete Brasil, onde permaneceu até 2012.

De acordo com o ex-executivo, logo que entrou na função foi informado por Pedro Barusco que teria de dar continuidade ao esquema de pagamento de propina. No período que permaneceu na empresa, Musa recebeu vantagem indevida de aproximadamente um milhão e meio de dólares. “Ele me procurou e disse que teria falado com o Ferraz, que havia um esquema do pagamento de propinas por parte dos estaleiros e que, como eu ia assumir o lugar dele, era importante que eu desse sequência a esse esquema. E, infelizmente, eu concordei”.

Os depoimentos de réus da 23ª fase da operação Lava Jato continuam na quinta-feira com a oitiva do casal de publicitários João Santana e Monica Moura, do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do operador financeiro Zwi Skornicki. João Santana e Monica Moura estão presos desde fevereiro, quando foi deflagrada a operação chamada de Acarajé. Santana está no Complexo Médico Penal, em Pinhais, e Mônica Moura na Penitenciária Feminina de Piraquara.

A 23.ª fase da Lava Jato investiga pagamentos ilegais no exterior, incluindo movimentações financeiras da empreiteira Odebrecht. Os investigadores identificaram o pagamento de pelo menos 200 milhões de dólares em propina envolvendo 14 atos de corrupção e 12 de lavagem de dinheiro. O interrogatório dos réus é uma das últimas etapas do processo. Depois dessa etapa de audiências, acusação e defesa apresentam por escrito as alegações finais e, em seguida, o juiz pode proferir a sentença.

 

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