Rocha Loures diz que cumpria ordens de Temer sem questioná-las

Roger Pereira


Em depoimento à Polícia Federal, prestado em 24 de novembro e tornado público nesta segunda-feira, o ex-assessor especial do presidente Michel Temer e ex-deputado pelo PMDB do Paraná Rodrigo Rocha Loures afirmou que mantinha uma relação cordial, mas apenas profissional com o presidente e que por isso e, por respeito à hierarquia, não tinha por hábito questionar as demandas a ele repassadas por Temer.

Flagrado carregando uma mala com R$ 500 mil entregue por representantes da JBS, o ex-deputado prestou depoimento no inquérito em que a PF apura o favorecimento a empresas do setor portuário no “decreto dos portos”, que ampliou os prazos de concessões das áreas portuárias no país.

“Que [o declarante] possuía uma relação de trabalho amistosa, não podendo afirmar que manteve uma relação de amizade, motivo pelo qual, tendo em vista o respeito aos cargos assumidos pelo senhor Michel Temer, bem como considerando a sua trajetória histórica, sempre manteve uma relação respeitosa com o presidente. Que, desta forma, o declarante não tinha por hábito questioná-lo “em relação às demandas repassadas nas mais variadas funções e tarefas exercidas”, diz trecho do depoimento.

O ministro Luís Roberto Barroso autorizou em setembro do ano passado a abertura de uma investigação para apurar irregularidades na edição do Decreto dos Portos, publicado em maio de 2017. O inquérito mira os crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa.

Também são investigados o ex-deputado Rocha Loures, além de Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, respectivamente, dono e diretor da Rodrimar. A empresa opera no Porto de Santos.

A investigação foi pedida pela Procuradoria Geral da União ainda sob comando de Rodrigo Janot. As suspeitas surgiram de uma conversa de Rocha Loures com Temer, grampeada pela PF.

O ex-deputado ouviu do presidente que assinaria o decreto na semana seguinte e em seguida repassou as informações recebidas a Ricardo Mesquita, apontado pelo MPF como um dos possíveis intermediários da propina a Temer.

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Repórter do Paraná Portal
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