Santana diz que foi pago com caixa 2 em 5 países

Narley Resende


Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

O casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura disse, em delação premiada, que a Odebrecht – às vezes por intermédio do PT – bancou parte de campanhas eleitorais em quatro países, fora o Brasil.

Homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a delação perdeu o sigilo na última quinta-feira. Segundo Mônica, só a Odebrecht pagou US$ 41,4 milhões (R$ 130 milhões no cambio atual) pelos serviços do casal em Angola, El Salvador, Panamá e Venezuela. A Andrade Gutierrez, segundo a publicitária, ainda arcou com US$ 2 milhões na Venezuela.

Os relatos dos marqueteiros se dividem em duas situações. Há casos em que o PT queria eleger o presidente e o dinheiro que a Odebrecht injetou era descontado do que seria devido em propinas ao partido. Em outros, a empreiteira bancou os serviços para manter obras nestes países.

Casos internacionais

Os dois casos em que o PT teve influência direta, de acordo com o casal, foram El Salvador e Venezuela. No primeiro, no final de 2008, Santana diz ter recebido um pedido do próprio presidente Lula para coordenar a campanha de Mauricio Funes, que seria eleito no ano seguinte. “Era uma campanha pequena, muito difícil de ganhar, grande desafio profissional, mas foi cobrado um valor baixo”, segundo Mônica: US$ 3 milhões.

Já na Venezuela, a parcela paga pela Odebrecht (US$ 7 milhões) não saiu de um caixa de propinas ao PT, mas o partido, segundo a marqueteira, ‘fez a ponte’ com o presidente Hugo Chá- vez, através do ex-ministro José Dirceu e do embaixador da Venezuela no Brasil à época.

Mônica conta que o então chanceler, hoje presidente Nicolás Maduro, “exigiu que ela recebesse quase todos os valores por fora”, no caixa 2. Além do que as construtoras pagaram, ela diz ter recebido US$ 11 milhões em espécie das mãos de Maduro na sede da chancelaria em Caracas.

Nos outros dois países – Angola e Panamá – os marqueteiros não falam em participação do PT. A Odebrecht afirma que “já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas” e colabora com a Justiça. Já o Instituto Lula afirma, em nota: “Não vamos comentar declarações de pessoas que buscam benefícios judiciais. Delações, pela legislação brasileira, não são provas”.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="431300" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]