Schahin diz ter sido chantageado na Petrobras

Andreza Rossini


O empreiteiro Milton Schahin disse na segunda-feira (17) ao juiz Sérgio Moro ter sido ameaçado três vezes por agentes ligados à Petrobras de perder o contrato de operação no navio-sonda Vitoria 10.000 – negócio que já foi alvo de outros processos na Lava Jato – se não pagasse propinas.

Neste processo, Schahin e o filho, Fernando, são acusados de terem aceitado pagar US$ 2,5 milhões em propinas por intermédio de Jorge Luz, apontado como lobista do PMDB na estatal.

Fernando ficou em silêncio no depoimento, mas Milton disse que ele o filho foram chantageados três vezes: uma por Luz e duas por ex-gerentes da área internacional da Petrobras: Demarco Epifânio e Eduardo Musa.

Em todos os casos, segundo Schahin, os recados eram claros: se a empreiteira não pagasse, perderia o contrato. “A gente normalmente não cede a pagamentos assim, mas eu achei que era necessário, caso contrário a gente poderia ficar sem o contrato. E eu sei que o Jorge [Luz] não é uma pessoa de blefar, nem de brincar”, disse Schahin.

A audiência é parte de uma ação que envolve Luz e o filho dele, Bruno, além de três ex-dirigentes da estatal e mais quatro pessoas, incluindo Schahin.

O processo é derivado da 38ª fase da Lava Jato, deflagrada em fevereiro deste ano.

No fim das contas, segundo o MPF (Ministério Público Federal), a construtora pagou propinas de R$ 534 mil mais US$ 900 mil. Musa, que fez delação, já responde por este caso em outro processo. A defesa de Luz não quis comentar o assunto e a de Epifânio não foi localizada.

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