Senadores não querem depor a Moro

Roger Pereira


Arrolados como testemunha de defesa do ex-senador Gim Argello, os senadores Paulo Paim (PT) e João Alberto Souza (PMDB) responderam ao ofício do juiz federal Sérgio Moro que solicitava a indicação de dia e horário para deporem à Justiça Federal do Paraná pedindo para que sejam dispensados do depoimento.

Assinados pelo mesmo escritório de advocacia, as petições dos dois senadores alegaram que, embora tenham sido membros da CPMI da Petrobras de 2014, não têm conhecimento sobre os fatos narrados na denúncia (cobrança de vantagens indevidas por integrantes da CPMI a empresários), “ou sobre qualquer matéria que pode ser relevante ao apreço deste juízo”.

Os documentos informam ainda que os senadores não tinham nenhuma relação com Gim Argello além da convivência diária como colega de parlamento. “Dessa forma, o requerente afirma que não possui condições de cooperar, tampouco conhece fatos que possam contribuir de qualquer forma para este procedimento”, dizem as duas petições.

Os senadores alegam, ainda, que o deslocamento à sede da PF em Brasília para depor atrapalharia suas atividades parlamentares em um momento crucial para a política brasileira e dizem que “por serem parlamentares de conduta irrepreensível, pode gerar muitos arrolamentos como testemunha de caráter, havendo contínuas interrupções em suas atividades parlamentares”. Os dois senadores concluem dizendo seguirem a disposição da Justiça para o depoimento, caso o juiz julgue necessário, mas afirmam contar com o bom senso do magistrado para a dispensa.

Senadores e deputados têm prerrogativa de escolher data e horário para prestarem depoimento em processos em que são arrolados como testemunha. Na última semana, Sérgio Moro oficiou uma série de parlamentares arrolados em processos em julgamento sobre a Operação Lava Jato, oferecendo três possibilidades de data e horário para que fossem ouvidos, por videoconferência, da Superintendência da Polícia Federal de Brasília. O deputado federal Hugo Leal (PSB), por exemplo, marcou sua audiência para o dia 24 de agosto.

Arrolados como testemunha de defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares em outra ação penal, os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT) e Vicentinho (PT) escolheram o dia 18 de agosto para deporem.

Previous ArticleNext Article
Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal