Sérgio Cabral se recusa a responder Moro e MPF

Roger Pereira


Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, no processo em que é réu no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral recusou-se a responder aos questionamentos do juiz federal Sérgio Moro e do Ministério Público Federal. Orientado por sua defesa, Cabral respondeu somente às perguntas formuladas por seus advogados.

Diante da afirmação de que Cabral não iria responder. Moro fez questão de registrar apenas três perguntas ao ex-governador, para que constassem nos autos. E ouviu apenas um “não é verdade”, quando perguntou se ele recebeu vantagens indevidas da Andrade Gutierrez em decorrência do contrato da Petrobras para as Obras Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

A seus advogados, Cabral reforçou a afirmação de que os fatos da denúncia não são verdadeiros. Disse que tinha, como governador do Estado, uma relação de muitos litígios com a Petrobras, por conta da cobrança de royalties e impostos da operação da companhia no estado. “E isso se agravou a inda mais a partir de 2009, quando me posicionei contra a legislação do pré-sal. Assim, não havia como eu receber vantagens ou indicar cargos na Petrobrás, já que minha relação era conflituosa com eles”.

Lembrado que a denúncia aponta uma série de mercadorias (de carros elétricos a roupas e joias) compradas em dinheiro vivo, por Sérgio Cabral e sua esposa, Adriana Ancelmo, como prova do recebimento de propinas, Cabral disse que comprou os produtos com recursos próprios e sobras de campanha e tentou isentar sua esposa das acusações. “Todas as compras foram feitas por mim, com recursos que eu obtive. Minha mulher não tem nenhuma relação com isso. Ela sequer conhece as pessoas citadas nesta ação”, afirmou.

Caixa 2

Ao fim das perguntas dos advogados de Cabral, Moro voltou a indagar o ex-governador, pedindo esclarecimentos. Nesta ocasião, Cabral admitiu a prática de caixa 2 eleitoral. “O senhor tem ouvido aqui muitas afirmações sobre caixa 2, sobras de campanha e isso é fato. Reconheço que utilizei recursos de sobras de campanha e caixa 2, mas esses recursos não têm nada a ver com minha mulher e nem com essa questão do Comperj”.

Cabral levantou dúvidas sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, que admitiu ter intermediado o pagamento de propina ao ex-governador. “Esses gastos não têm nada a ver com a Petrobras, nada a ver com o Comperj. Isso é uma invencionice do Paulo Roberto Costa”, disse, sendo interrompido por Moro, que lembrou que os executivos da Andrade Gutierrez também admitiram o pagamento de propina ao ex-governador. “ Dos executivos da Andrade também?”, questionou o magistrado. “Me surpreenderam eles terem falado isso. Até porque se pegar a cronologia dos fatos, as informações da Andrade Gutierrez não bate com as de Paulo Roberto Costa, concluiu Cabral.

 

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Repórter do Paraná Portal
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