Sérgio Moro ouve testemunhas de ação que investiga propina ao PMDB

Narley Resende


O juiz Federal Sérgio Moro começa a ouvir esta semana as primeiras testemunhas de acusação em ação penal relacionada a 38ª fase da operação Lava Jato.

Os depoimentos serão tomados a partir de quinta-feira (25), com audiências dos delatores Eduardo Costa Vaz Musa, e Júlio Camargo e do auditor da Petrobras, Robson Cecílio.

Na sexta (26) participam das audiências o lobista Fernando Baiano, um dos operadores de propinas do PMDB e o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Os dois também fecharam acordos de colaboração com força-tarefa da Lava Jato.

Operação Blackout

A 38ª fase, chamada de operação Blackout, foi deflagrada em fevereiro deste ano e tem como principais alvos Jorge e Bruno Luz que teriam atuado como operadores do PMDB no esquema de desvio de recursos envolvendo a Petrobras. Os dois permanecem presos no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os lobistas movimentaram mais de 40 milhões de dólares em propinas a peemedebistas e agentes públicos em cinco contratos da estatal no Brasil e no exterior.

Entre os beneficiários dos valores estava o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Dois parlamentares eram os responsáveis por receber a propina e distribuir entre outros políticos do PMDB, incluindo senadores da legenda.

A denúncia apura irregularidades em contratos da Petrobras para contratação de navios-sonda entre 2006 e 2007.

U$ 6 milhões

Por esses acordos fraudulentos, o ex-diretor da área internacional, Nestor Cerveró, e os lobistas Fernando Baiano e Júlio Camargo já haviam sido condenados, também pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Seis milhões de dólares de um dos contratos foram destinados a agentes políticos.

De acordo com a denúncia, Jorge e Bruno Luz seriam os responsáveis por intermediar esses valores. A denúncia ainda trata do contrato fechado entre a Petrobras e o Grupo Schahin para operação de outro navio-sonda, em 2009.

O negócio quitou um empréstimo fraudulento de doze milhões de reais do banco Schahin para o pecuarista José Carlos Bumlai feito em 2004 – que tinha como destino o Partido dos Trabalhadores.

Condenados 

Esse esquema já havia resultado na condenação de Cerveró, Fernando Baiano, do ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa e de executivos do Grupo Schahin.

Outros sete investigados também viraram réus no processo: os executivos Milton e Fernando Schahin; os doleiros Jorge e Raul Davies; os ex-gerentes da Área Internacional da Petrobras, Demarco Epifânio e Luis Carlos Moreira, além do ex-funcionário da estatal, Agosthilde Mônaco.

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