Sérgio Moro vai ouvir Delcídio

Roger Pereira


Um dos principais delatores do núcleo político da Operação Lava Jato, o ex-senador Delcídio Amaral, já tem data e hora para contar o que sabe para o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais em primeira instância relativas aos casos de corrupção na Petrobras e outras situações a eles relacionados. Moro marcou para as 14 horas do próximo dia 24 de junho o depoimento de Delcídio no processo que investiga a cobrança de propina de empreiteiros para blindá-los de convocação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobrás, cujos trabalhos foram realizados pelo Congresso Nacional em 2014.
O depoimento de Delcídio à Procuradoria-Geral da República, em acordo de delação premiada é um dos indícios apresentados pelo Ministério Público Federal, que arrolou o ex-senador como testemunha de acusação, para pedir a condenação do ex-senador Gim Argello, o principal réu da ação penal em questão, que está preso desde abril, quando a Polícia Federal deflagrou a 28ª da Operação Lava Jato.
Delcídio afirmou, em seu depoimento, que Argello, o ex-senador Vital do Rêgo, hoje ministro do Tribunal de Contas da União e o deputado federal Fernando Francischini se reuniram com executivos das principais empreiteiras do país e cobraram propina de R$ 5 milhões para que eles não fossem convocados a depor na CPMI. Alguns dos presidentes de construtoras, também colaboradores, como Ricardo Pessoa, da UTC, confirmaram o pagamento de propina a Argello, o que desencadeou a operação da PF. Com foro privilegiado Rêgo é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal. Já quanto a Francischini, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento do caso, pois seu nome não foi citado por nenhum outro depoente.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal