Sistema de propina da Odebrecht deve render meses de trabalho para peritos

Jordana Martinez

Lenise Aubrift Klenk/ BandNewsCuritiba

A análise de todas as informações dos sistemas de controle de pagamento de propina da Odebrecht ainda deve render meses de trabalho para peritos da Polícia Federal em Curitiba. O laudo da primeira perícia nas plataformas Drousys e My Web Day precisa responder até 22 de fevereiro questões formuladas na ação penal que trata da propriedade de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Depois disso, novos pedidos de análise podem chegar à equipe de peritos.

A sede da Polícia Federal em Curitiba tem uma estrutura que mantém todo o material isolado em uma sala blindada por concreto, onde apenas agentes autorizados podem entrar. A intensificação do trabalho pode exigir, inclusive, a ampliação do espaço, assim como a equipe vem sendo reforçada. O setor aguarda um reforço de pelo menos quatro peritos criminais para compensar o número de agentes deslocados para a análise dos dois sistemas da Odebrecht. Atualmente, são 8 peritos dedicados exclusivamente à análise dos softwares.

Ao todo, a Lava Jato tem utilizado 16 peritos criminais, incluindo os designados para analisar os sistemas Drousys e My We Day. Se o reforço se confirmar, serão 20 peritos. Mas o número é flutuante porque os agentes são convocados a cada nova demanda e nem sempre permanecem na equipe depois de encerrada a missão.


A primeira análise dos softwares da Odebrecht foi determinada pelo juiz Sérgio Moro em setembro do ano passado, atendendo a um pedido da defesa de Lula na ação penal na qual ele é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio da compra do terreno e do apartamento vizinho ao imóvel onde o ex-presidente mora em São Bernardo do Campo.

No laudo, os peritos precisam apresentar uma descrição geral do que se tratam e do funcionamento dos dois sistemas; devem verificar a “autenticidade” das plataformas; e extrair “documentos e lançamentos” relacionados ao imóvel da Rua Haberbeck Brandão, 178, em São Paulo, que teria sido comprado para depois ser repassado ao Instituto Lula.

Os sistemas têm 1,7 milhão de arquivos armazenados em 4 discos rígidos (HDs) de memória digital. O material foi entregue pela Odebrecht ao Ministério Público Federal em março do ano passado, como parte do acordo de leniência firmado pela empresa em dezembro de 2016.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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