Sistema secreto da Odebrecht tinha intranet acessada por codinomes

Andreza Rossini


Lenise Klenk – Repórter da BandNews Curitiba

O técnico de informática Camillo Gornati relatou em audiência na Justiça Federal o funcionamento de um sistema de comunicações secretas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Ele participou da última audiência com testemunhas de acusação de uma ação penal decorrente da 26.ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Xepa.

O técnico, que participou da instalação e da remoção do sistema, foi ouvido por videoconferência na manhã desta quarta-feira (22).

A ação penal apura as atividades do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, suspeito de ter funcionado como um setor interno para pagamento de propina em contratos com estatais, como a Petrobras. A área teria movimentado, em contabilidade paralela, pelo menos R$ 60 milhões, recurso distribuído a aproximadamente 20 pessoas.

O técnico Camillo Gornati era funcionário da empresa JR Graco e prestou serviços na Odebrecht para configurar uma intranet na empreiteira e habilitar usuários, que acessavam o sistema pela internet.

Questionado pela procuradora Laura Tessler, Gornati confirmou que os emails usados para entrar na internet usavam codinomes. “A minha era quarto dia, alguns eram “Giginho”, “Gigo” “Waterloo”. Eu fui ficar sabendo [a quem se referiam] posteriormente. Todas as vezes que eu era solicitado para criar um e-mail, ou criar um usuário resetar uma senha não era me passado qual pessoa que ia utilizar o e-mail”, afirmou.

Gornati diz que os servidores do sistema estão instalados na Suíça e foram bloqueados por autoridades do país. Ele diz que nunca foi informado do motivo para que os logins e e-mails usassem codinomes.

Outros depoimentos de testemunhas de acusação previstos inicialmente, como o do empresário Vinícius Veiga Borin, operador financeiro da Odebrecht, foram substituídos pela inclusão dos termos de colaboração premiada nos autos do processo.

A ação penal tem 12 réus, entre eles o marqueteiro João Santana, a esposa dele, Mônica Moura, e o empreiteiro Marcelo Odebrecht. Eles são acusados de crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção na Petrobrás. Daqui a pouco menos de duas semanas, o juiz Sérgio Moro começa a ouvir as testemunhas de defesa da ação penal, indicadas pelos réus.

Entre os convocados por Marcelo Odebrecht estão os ex-ministros Guido Mantega, Antônio Palocci Filho e Edinho da Silva, que têm depoimentos marcados para 22 de julho. O nome da presidente Dilma Rousseff, também arrolada por Marcelo Odebrecht como testemunha, ainda não consta na lista de audiências.

No dia 10 de junho, o juiz federal Sérgio Moro mandou comunicar a presidente da convocação e pedir que ela responda se quer ser ouvida em audiência ou por escrito.

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