Sítio de Atibaia: Moro determina nova perícia em sistema de propinas

Andreza Rossini


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em primeira instância na Operação Lava Jato, determinou que seja realizada nova perícia no sistema de propinas da Odebrecht.

A nova análise deve verificar se foram realizados pagamentos, pela empreiteira, às obras de benfeitorias ao Sítio de Atibaia como forma de pagamento de propina ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O juiz determinou que todo o material relacionado à ação penal passe por nova perícia.

“Justifica-se verificar, através de prova pericial, a sua autenticidade, ou seja, se foi extraído do sistema de contabilidade informal do Grupo Odebrecht e que se encontra atualmente com os peritos da Polícia Federal”, diz Moro.

Moro também autorizou acesso parcial à defesa de Lula aos dados do sistema de propina “My Web Day”, referentes a ação penal em questão.

Não cabe como requerido, deferir à Defes de Luiz Inácio Lula da Silva acesso a esses sistemas, uma vez que contêm eles centenas ou milhares de lançamentos de pagamentos a terceiros e que não compõem o objeto da presente acusação. Franquear-lhe acesso ou cópia como pretendido colocaria em risco o sigilo e a eficácia de investigações em curso sobre outros crimes envolvendo outros agentes públicos supostamente beneficiados. Poderá, porém, a Defesa ter acesso às transações do sistema que digam respeito ao objeto da presente ação penal“, despachou.

O juiz deu um prazo de 30 dias para a realização da perícia. Lula nega as acusações e nega ser dono do imóvel.

Sítio de Atibaia

De acordo com a denúncia do MPF, o ex-presidente Lula seria responsável por comandar “uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal” e teria recebido cerca de R$ 870 mil em vantagens indevidas em forma de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia.

Além de Lula, o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht; o dono da OAS, Léo Pinheiro; o pecuarista José Carlos Bumlai; e mais nove foram denunciados na mesma ação penal. Todos são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção ativa ou passiva.

O ex-presidente foi denunciado em maio de 2017 e tornou-se réu em agosto do mesmo ano.

O processo

O juiz ouve as testemunhas de acusação do processo. Na sexta-feira prestaram depoimentos cinco testemunhas de acusação. Após todas as testemunhas de acusação prestarem depoimento, serão ouvidas as testemunhas de defesa. Segundo Moro, os advogados do ex-presidente Lula arrolaram 59 pessoas para prestar depoimento.

Os réus são os últimos a serem ouvidos.

My Web Day

Os sistemas têm 1,7 milhão de arquivos armazenados em 4 discos rígidos (HDs) de memória digital. O material foi entregue pela Odebrecht ao Ministério Público Federal em março do ano passado, como parte do acordo de leniência firmado pela empresa em dezembro de 2016.

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