Sócio da WTorre afirma ter recebido ameaças para deixar de concorrer a contratos com a Petrobras

Fernando Garcel


O ex-sócio da empreiteira WTorre Engenharia Paulo Remy Gillet Neto afirma ter recebido ameaças para deixar de concorrer a contratos com a Petrobras. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, o executivo diz ter ouvido “frase ameaçadora” do engenheiro do Grupo Schahin Edison Coutinho.

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O episódio envolvia uma concorrência para obras no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes). Em delação premiada, Coutinho já havia confessado ter pago propinas de R$ 18 milhões para que a WTorre deixasse a concorrência desta licitação. O acordo beneficiou o consórcio formado pelas empreiteiras OAS, Carioca, Construcap, Construbase e Schahin.

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Paulo Remy conta que as ameaças aconteceram durante uma reunião formal. Era a primeira vez que se encontrava com o representante da Schahin. O empresário afirma que não conhecia Edison Coutinho e, por isso, passaram mais de uma hora conversando sobre amenidades – futebol, política e outros assuntos. Quando a licitação entrou em pauta, o executivo começou a ouvir críticas.

“No meio dessa conversa, a reunião tomou um tom diferente. Essa parte eu me recordo porque isso me incomodou muito. Eu era entrante no mercado. Atender alguém que eu não conhecia e que ninguém da minha empresa conhecia e, de uma certa forma, começar a fazer críticas a nossa companhia de que ‘nós não tínhamos competência’, que ‘essa obra era muito complexa’, que ‘nós íamos perder muito dinheiro’, que isso podia ‘levar a gente a quebrar’. Não sou uma pessoa com a personalidade muito educada e fiquei um pouco nervoso”, disse Gillet Neto a Moro.

Paulo Remy contou que se lembra do conteúdo – apesar de não lembrar a data desse encontro – por conta de uma ameaça. “Ele falou uma frase, essa sim me marcou, de que ‘nós estávamos metendo a mão em um vespeiro’ e que nós não devíamos nos meter nisso e eu dei por encerrada a reunião”, declarou ao magistrado. “Quando eu cito que lembrei é porque eu acho que essa frase foi um pouco ameaçadora”, declarou.

Para as obras do Cenpes, a empreiteira WTorre apresentou uma proposta 40 milhões de reais mais baixa do que o consórcio que acabou por realizar as obras. Ainda em depoimento, Paulo Remy explicou que executivos da WTorre foram chamados à Petrobras para discutir descontos. Apesar de terem a melhor proposta, ofereceram um desconto de dois milhões.

Contudo, foram informados que o consórcio Novo Cenpes – formado por OAS, Carioca, Construcap, Construbase e Schahin – ofereceu descontos maiores e que seria o responsável pela obra no lugar da WTorre, mesmo com preço mais alto.

Entenda o caso

De acordo com as investigações da força-tarefa, o consórcio formado pelas construtoras OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Shahin Engenharia formaram um cartel para construção do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro.

As empreiteiras teriam acertado o preço para vencer a licitação, mas a WTorre Engenharia, que não fazia parte do cartel, teria oferecido um valor menor pela obra. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), cerca de R$ 18 milhões foram pagos à construtora para que a mesma desistisse da licitação. “Além da corrupção no âmbito público, há uma corrupção privada para fraudar a licitação”, disse o procurador da República Julio Carlos Motta Noronha durante a coletiva de imprensa no ano passado.

Por fim, o consórcio fechou um contrato no valor de R$ 850 milhões com a Petrobrás, porém, após aditivos, a obra gerou um custo superior a R$ 1 bilhão, segundo os procuradores.

Com informações da BandNews FM Curitiba
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