Suspeito de chantagear PT deve ter denúncia até sexta

Redação


O MPF (Ministério Público Federal) deve denunciar até o final desta semana o empresário Ronan Pinto, suspeito de receber R$ 5,7 milhões tirados de um empréstimo a pedido do PT em 2004.

O caso, alvo da 27ª fase da Lava Jato, ainda é investigado, mas Pinto está detido desde 1° de abril. O prazo para oferecimento da acusação é de 35 dias após a prisão e vence nesta sexta. O MPF não confirma se fará a denúncia.

Segundo o MPF, os quase R$ 6 milhões pagos a Pinto saíram de um empréstimo de R$ 12 milhões feito pelo banco Schahin ao pecuarista José Bumlai, e o dinheiro passou por três empresas até chegar ao destino final. A suspeita é que o pagamento tenha sido uma chantagem à cúpula do PT.

O caminho do dinheiro está comprovado pelo MPF, mas a única versão que cita a suposta chantagem é de Marcos Valério, principal operador do mensalão. Valério disse ter recebido de Silvio Pereira, ex-secretário do PT, um pedido para mediar o empréstimo da Schahin.

Valério disse que negou ajuda, mas soube que Pinto extorquia o primeiro escalão do partido, inclusive o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente Lula. Segundo ele, Pinto disse que precisava do dinheiro para comprar parte do Diário do Grande ABC, em Santo André, que o estava vinculando à morte do ex-prefeito Celso Daniel (PT) em 2002.

No despacho que autorizou a prisão do empresário, o juiz Sérgio Moro afirmou que é possível que o caso “tenha alguma relação” com o assassinato de Celso Daniel. Tanto Ronan Pinto quanto Silvio Pereira, que ficou preso por cinco dias, negam as acusações.

Pereira diz não saber o destino do dinheiro emprestado pelo banco Schahin Pinto reconheceu que tomou o empréstimo da em-presa Remar (apontada pela investigação como penúltima “parada” do dinheiro saído da Schahin), mas que não sabe da origem dos recursos.

(Rafael Neves)

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