Testemunhas de acusação contra ex-tesoureiro do PP começam a ser ouvidas

Andreza Rossini


Com informações da BandNews Curitiba

Testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público Federal (MPF) são ouvidas na tarde desta segunda-feira  (29), pela Justiça Federal do Paraná, no processo relacionado à 29ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Repescagem”.

A ação penal tem como principal alvo o ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João Cláudio Genu. Acusado de receber aproximadamente R$ 6 milhões em propinas, ele é responde pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

De acordo com os procuradores, entre 2007 e 2012, Genu atuou junto com o ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para negociar quase R$ 358 milhões em propinas. O valor corresponde a 1% dos contratos da estatal com as empreiteiras Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Mendes Júnior e OAS.

Serão ouvidos nesta segunda-feira (29), na condição de testemunhas de acusação, Ediel Viana da Silva (13.ª Vara Federal) e Talita Rego Borges Cordeiro (videoconferência Brasilía/DF).

Além do ex-tesoureiro, também respondem ao processo Lucas Amorin Alves, Rafael Ângulo Lopes e Carlos Rocha “Ceará”.

O nome de João Cláudio Genu aparecia nas investigações da Lava Jato desde a primeira fase da operação. Mas foi só na 29.ª fase que ele se transformou em alvo e foi preso preventivamente. Na ocasião, a Força Tarefa classificou o ex-tesoureiro do PP como o principal elo entre o Mensalão e o esquema de corrupção na Petrobras. Réu no Mensalão, Genu foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, mas absolvido da acusação de corrupção porque o crime prescreveu e, por meio de recursos, também absolvido do crime de lavagem de dinheiro. Na Petrobras, ele seria responsável por receber valores em espécie e repassá-los ao ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

Além disso, ele também seria o beneficiário direto de até 5% das propinas negociadas. Genu teria se disposto a colaborar com as investigações da Lava Jato assim que foi preso. A colaboração não deve trazer fatos novos. Mas informações sobre a distribuição do dinheiro, desde formas de pagamento e origem dos recursos, até o destino e identificação de portadores da propina.

O perfil dele não é o de um político. Mas de um executivo organizado, que tinha controle de cada detalhe das operações financeiras. Se a delação for aceita, a homologação deve ficar a cargo do Supremo Tribunal Federal, por envolver pessoas com foro privilegiado.

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