TRE do Paraná envia informações da campanha de Gleisi ao Supremo

Narley Resende


O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) encaminhou nessa segunda-feira (29) ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) com informações sobre a campanha de 2014 da senadora Gleisi Hoffmann e da prestação de contas do PT, quando Gleisi concorreu ao governo do Estado.

O ofício é assinado pelo desembargador Luiz Fernando Tomasi Keppen, presidente do TRE. Por se tratar de uma senadora da República, com foro privilegiado, o TRE não tem autonomia para encaminhar sem autorização do STF os documentos caso sejam solicitados por investigações.

Segundo o TRE, a maior parte das informações é pública, mas por conta de processos em andamento na Operação Lava Jato é necessário trâmite no Supremo. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, deve avaliar as informações do Tribunal Eleitoral.

A assessoria do TRE informou que não houve solicitação das informações e que o Tribunal enviou após tomar conhecimento de procedimento investigatório envolvendo a campanha da senadora.

O processo contra a senadora no STF é sigiloso, assim como todos os que envolvem políticos com mandato na Lava Jato.

Custo Brasil

Responsáveis pela coordenação jurídica das campanhas de Gleisi – em 2008, 2010 e 2014 – são acusados de receber R$ 7,2 milhões de empresas suspeitas de participarem do esquema de corrupção.

O dinheiro teria sido pago pela empresa de tecnologia Consist que prestou serviço ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e que contratou escritórios do advogado Guilherme Gonçalves paralelamente. Gonçalves foi responsável jurídico por campanhas de Gleisi. Ele chegou a ser preso na Operação Custo Brasil, em junho.

Gleisi já disse que não existe nenhuma relação entre pagamentos da Consist ao advogado Guilherme Gonçalves e as suas campanhas eleitorais.

Denúncia adiada

Na semana passada, a Segunda Turma do STF adiou o julgamento sobre uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gleisi Hoffmann e o marido dela, o ex-ministro do Planejamento e das Comunicações, Paulo Bernardo. O julgamento havia sido marcado para esta terça-feira, dia 30.

A nova data ainda não foi definida. O inquérito foi retirado da pauta no início da semana, após pedido do ministro Teori Zavascki para evitar questionamentos sobre a nulidade do julgamento. No momento da sessão, a senadora estava no julgamento, no Senado, que decidirá sobre o afastamento definitivo da presidenta Dilma Rousseff.

Em maio, Gleisi e Paulo Bernardo foram denunciados ao Supremo sob a acusação de terem recebido R$ 1 milhão para campanha da senadora em 2010.

De acordo com depoimentos de delatores na Operação Lava Jato, o valor é oriundo de desvios de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef.

Em documento encaminhado ao Supremo, a defesa dos dois diz que as acusações são “meras conjecturas feitas às pressas” em função de acordos de delação premiada.

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