Tribunal nega mais um pedido de afastar Moro de processo da Lava Jato

Fernando Garcel


A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou mais um pedido de suspeição movida contra o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, nesta quarta-feira (30). A ação foi movida pelo ex-presidente da Construtora Queiróz Galvão Idelfonso Colares Filho.

De acordo com os advogados, Moro seria suspeito para julgar o processo criminal de Colares por ter se autodeclarado suspeito em um inquérito policial em que Alberto Youssef foi investigado em 2007. Para a defesa, a suspeição deveria ser estendida para as ações atuais da Operação Lava Jato que envolvessem Youssef.

Para o relator da Lava Jato no TRF4, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, a causa da suspeição do procedimento investigatório não se comunica com o atual contexto processual da Operação Lava Jato. Além disso, Gebran frisou que a declaração de suspeição de Moro naquela ação não tinha como foco o então investigado Youssef, mas atos praticados pela polícia, que o magistrado teria entendido como tendenciosos.

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Acusações

O ex-presidente é réu na ação penal decorrente da 33ª fase da Lava Jato, batizada como Operação Resta Um, que tem como foco a alta cúpula do grupo Galvão. Ildefonso Colares Filho e o executivo ligado à Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, são acusados pelo pagamento de propinas de 10 milhões de reais ao ex-senador Sérgio Guerra (ex-PSDB/PE), que morreu em 2014. Outro beneficiado da propina seria o deputado federal Eduardo da Fonte (PP/PE). Os pagamentos foram feitos em 2009 para atrapalhar as investigações da CPI Mista da Petrobras.

Os dois empresários denunciados respondem pelo crime de corrupção ativa. Além do pagamento ao ex-presidente do PSDB e outros políticos ligados à CPI da Petrobras, a ação penal também investiga pagamentos ao ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. A propina foi intermediada, segundo as investigações, pelo doleiro Alberto Youssef e pelo operador Fernando Soares, conhecido como “Baiano”.

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