“Uma corrupção ao quadrado”, diz Dallagnol sobre esquema

Fernando Garcel


Em coletiva de imprensa que denunciou 20 pessoas em dois processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, nesta sexta-feira (6), o Procurador da República e coordenador da força-tarefa da operação no Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, afirmou que o esquema de corrupção “além de ofender a dignidade do parlamento foi uma corrupção para proteger outros casos de corrupção, uma corrupção ao quadrado”.

Segundo Dallagnol, o esquema que embasou a denúncia contra o ex-senador Gim Argello contou com o envolvimento de sete diferentes empresas solicitando ou aceitando propina. A propina chegava a R$ 5 milhões em cada caso e o total soma R$ 35 milhões, mas nem todo esse valor teria sido pago. “O envolvimento de pessoas de tamanha importância na nossa república em corrupção é comparado a uma inundação que atinge nossas casas e nos tentamos tirar a água com balde, mas não é suficiente”, disse o procurador.

O nome do ex-senador apareceu nas delações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, e do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que cumpre prisão domiciliar. Argello teria pedido mais de R$ 5 milhões à UTC Engenharia e OAS para barrar a convocação dos executivos das empreiteiras na CPI que investigou o esquema de corrupção na Petrobras.

O procurador afirma que o país precisa de medidas que evitem casos de corrupção e criticou o pacote de medidas pró-corrupção que chegou ao Congresso. “É um ataque direto a Operação Lava Jato”, disse se referindo ao projeto de lei que abre brechas na Justiça. “Nós não podemos generalizar e dizer que são todos corruptos. Isso atrapalha os trabalhos dos corretos. Nós precisamos de medidas para evitar os casos de corrupção e punições mais efetivas” afirmou.

Denúncias

Na coletiva de imprensa, o MPF apresentou novas denúncias contra investigados na operação em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6). Entre os denunciados está o ex-senador Gim Argello, preso na deflagração da 28ª fase da Operação Lava Jato, e o empresário Ronan Maria Pinto, preso na 27ª fase, por supostos crimes investigados pela operação da Polícia Federal.

Na primeira denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) relaciona o Argello por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e obstrução à investigação. Além do ex-senador, outras dez pessoas, incluindo o filho Jorge Afonso Argello Junior, também foram denunciados. Os outros nomes estão diretamente ligados a empreiteiras como a Odebrecht e OAS.

Principal alvo da segunda denúncia, o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal “Diário do Grande ABC”, preso na 27ª fase da Operação Lava Jato, foi denunciado por lavagem de dinheiro. Ele teria recebido cerca de R$ 6 milhões do pecuarista José Carlos Bumlai. O valor representa a metade de um empréstimo feito pelo pecuarista no banco Schahin, que foi fraudado.

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