Vaccari deu desconto na propina, conta delator

Roger Pereira


Intermediário da Engevix na negociação de propinas de contratos com a Petrobras, o empresário Milton Pascowitch, delator da Operação Lava Jato, disse, nesta quinta-feira, ao juiz federal Sérgio Moro, que conseguiu um desconto na propina devida ao PT por conta do contrato de oito navios da Engevix com a Petrobras.

“No contrato dos oito cascos da Engevix com a Petrobras, foi acordado, com o Renato Duque (ex-diretor da área de serviços da estatal), a propina de 1%, sendo que metade iria para ‘a casa’ e metade para a área política”, explicou o empresário em depoimento na Justiça Federal de Curitiba. “Este 0,5% da área política, tratei direto com o João Vaccari Neto (ex-tesoureiro do PT). A dívida seria de R$ 18 milhões, mas negociei com ele o pagamento de R$ 14 milhões, sendo que R$ 4 milhões foram pagos em doações oficiais e os outros R$ 10 milhões foram feitos em contratos da Engevix”, disse, informando que, dentro desses contratos, a empresa pagou, por exemplo, a dívida do partido com uma editora, a pedido de Vaccari.

Quem também depôs nesta quinta-feira à Justiça Federal, foi o ex-presidente da UTC Engenharia Ricardo Pessoa, que também confirmou a regra de propina nos contratos com a diretoria de serviços da Petrobras: “0,5% para Renato Duque e Pedro Barusco (ex-gerente de serviços da Petrobras) e 0,5% para o PT, através do João Vaccari”. Pessoa relatou que sempre que se fechava um contrato com a área de serviços da Petrobras, já era encaminhado para o então tesoureiro do PT. “E quando chegava no Vaccari, ele já sabia qual era o contrato, qual o valor, e quanto devia destinar a ele. Com o tempo, nem precisava mais conversar”, disse.

Pessoa disse que nunca foi chantageado ou extorquido para pagar a propina, mas fazia por ser a “regra do jogo” para manter uma boa relação com a estatal. “O desenrolar de um processo desta natureza exigia um relacionamento constante com o cliente. Se você não se enquadra nesta regra do jogo, tem o risco de sua empresa ser preterida. Se um aditivo demorar seis meses para ser aprovado, por exemplo, seu resultado está completamente comprometido. Esse bom relacionamento era fundamental para evitar isso”, afirmou.

Previous ArticleNext Article
Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal