‘Vazamentos de áudios preocupam quando não há apuração efetiva’, diz delegado da PF

Mariana Ohde


A força-tarefa da Operação Lava Jato admitiu que os vazamentos de áudios do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, causa preocupação, já que não houve uma “apuração efetiva”, mas garantiu que a operação não sofrerá interferência externa. Os áudios que compõem a delação premiada do ex-presidente da Transpetro têm sido divulgados pela imprensa desde o início da semana. O jornal Folha de S. Paulo publicou, na segunda-feira (23), as conversas entre Sérgio Machado e o senador Romero Jucá, que sugeriu a criação de um “pacto” para barrar a Lava Jato. Jucá acabou exonerado do cargo de Ministro do Planejamento na terça-feira (24). Já nesta quarta-feira (25), a Folha de S. Paulo divulgou as conversas de Sérgio Machado com o presidente do Senado, Renan Calheiros, que sugeriu alterações na lei da delação premiada – como a proibição de acordos de delação com investigados presos. As delações são uma das principais ferramentas utilizadas na Operação Lava Jato e muitas delas foram fechadas com pessoas já detidas.

O delegado da Polícia Federal (PF), Igor Romário de Paula, disse que as equipes, no Paraná, não têm conhecimento sobre os áudios e que os vazamentos preocupam quando não há apuração efetiva. “O que temos de informação sobre este caso é única e exclusivamente o que a gente recebeu da imprensa. Há a notícia de um suposto acordo firmado no âmbito da Procuradoria-Geral da República, mas isso não é de nosso conhecimento. O que nos preocupa é que isso venha a público dessa forma, sem que uma apuração efetiva tenha sido feita”, explica.

Ao mesmo tempo, o delegado garante que o conteúdo das conversas não vai afetar o trabalho dos investigadores, apesar de admitir uma preocupação com as constantes tentativas de frear a Lava Jato. “Preocupa, mas não há nada que a gente tenha detectado no âmbito da polícia. A entrada do ministro Alexandre de Moraes foi super positiva. Está todo mundo agora trabalhando com mais tranquilidade”, afirma, referindo ao escolhido para o Ministério da Justiça e Cidadania no governo do presidente interino Michel Temer.

As declarações de Igor Romário de Paula, chefe das investigações na PF em Curitiba, foram dadas durante a coletiva de imprensa da 30ª fase da Lava Jato, batizada de operação Vício. A etapa apurou pagamentos de propina que passam de R$ 40 milhões, realizados por duas grandes fornecedoras de tubos para a Petrobras. Os dois presos da operação, Eduardo Aparecido e Flávio Macedo, chegaram a Curitiba no início da noite desta terça-feira. Eles devem realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal ainda nesta quarta-feira. Os dois são sócios da Credencial Construtora, apontada como uma empresa de fachada utilizada para repasses de propina. Um dos beneficiários das vantagens indevidas seria o ex-ministro José Dirceu.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal