WTorre fica fora de denúncia da Lava Jato

Narley Resende


O MPF (Ministério Público Federal) não incluiu na denúncia dessa terça-feira (9), derivada da 31ª fase da Lava Jato (Operação Abismo), outra suspeita sobre a obra do Cenpes, unidade de pesquisa da Petrobras no Rio de Janeiro. Além de pagar RS 20 milhões ao PT e aos ex-dirigentes da Petrobras, o consórcio teria pago RS 18 milhões à construtora WTorre para que desistisse de ficar com a obra.

A propina é citada na delação do empreiteiro Ricardo Pernambuco, da Carioca Engenharia, mas o suposto pagamento, que teria partido da OAS, ainda não foi localizado.

Segundo o MPF, a WTorre furou o cartel ao vencer a licitação do Cenpes com uma proposta R$ 40 milhões mais barata do que o consórcio, e só teria recuado após aceitar propina. Em depoimento à PF, Walter Torre Junior, dono da WTorre, contestou a versão.

Disse que Ricardo Pernambuco Junior, filho do dono da Carioca, disse a ele que a obra do Cenpes já estava reservada para o “grupo” e a WTorre deveria se retirar.

Essa reunião, segundo ele, foi antes de a WTorre dar sua proposta pela obra, o que contraria a versão de propina – já que não faria sentido entrar na disputa depois de ter aceitado desistir dela.

Obra do Cenpes teve propina de R$ 20,6 milhões, diz MPF 

O ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira e mais 14 pessoas foram denunciadas ontem pelo MPF pelo repasse de RS 20.6 milhões em propinas pela obra do Cenpes. A acusação é derivada da 31° fase da Lava Jato.

Deflagrada no começo de julho – quando Ferreira já estava preso pela Operação Custo Brasil. que apura corrupção no Ministério do Planejamento – essa etapa prendeu executivos do consórcio Novo Cenpes. que assumiu a obra ao preço de RS 850 milhões em 2008. O custo acabaria ultrapassando RS 1 bilhão. O MPF aponta que 11 empreiteiras, divididas em consórcios, repartiram três obras da Petrobras por volta de 2007: o centro administrativo da estatal em Vitória-ES, o CIPD (Centro Integrado de Processamento de Dados) e o Cenpes, no Rio.

O consórcio Novo Cenpes era formado pelas empresas OAS, Schahin, Construcap, Construbase e Carioca. Em delação, os donos da Carioca afirmaram que o acordo previa propina 2% da obra, sendo 1% para o PT e 1% para a ‘Casa’, os ex-dirigentes da Petrobras Renato Duque e Pedro Barusco.

O ex-gerente Barusco já havia falado sobre o caso, também em delação. Dos pagamentos ao PT, foi identificado que o operador Alexandre Romano, o ‘Chambinho’ – também envolvido
na Operação Custo Brasil – recebeu quase RS 1 milhão das construtoras e dividiu o valor com Paulo Ferreira, chegando a fazer depósitos à escola de samba Estado Maior da Restinga, de Porto Alegre, à madrinha da bateria da escola e a parentes do ex-tesoureiro.

Ouvido pela PF, Ferreira disse não saber de qualquer acordo envolvendo o Cenpes e que o dinheiro depositado por Romano era para cabos eleitorais da sua campanha a deputado federal em 2010.

Sobre a escola de samba, disse apenas que ajuda as agremiações a captarem recursos, razão pela qual ‘recebeu o título de imperador do samba do Rio Grande do Sul’.

(Com Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba)

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