Operações simultâneas de Lava Jato e Gaeco foram coincidência, afirma força-tarefa

Roger Pereira e Fernando Garcel


Policiais Federais e procuradores de Justiça integrantes da Força-Tarefa da Operação Lava Jato afirmaram, em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, que a deflagração da 53ª Fase da Operação Lava Jato no mesmo dia em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público Estadual do Paraná, deflagrou operação que prendeu o ex-governador Beto Richa (PSDB), entre outros investigados, foi “uma incrível coincidência”.

Beto Richa e esposa são presos em operação do Gaeco em Curitiba

Lava Jato prende ex-chefe de gabinete de Richa

Batizada de Operação Piloto, uma referência ao suposto nome do ex-governador do Paraná e candidato do PSDB ao Senado Beto Richa na planilha da Odebrecht, a força-tarefa da Lava Jato deflagrou a 53 fase da investigação nesta terça-feira (11). Nesta fase, a investigação pretende se aprofundar no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro nas fraudes ligadas à duplicação da PR-323.

Foram alvos da operação o ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Rodo; o empresário apontado como “operador financeiro” Theodocio Atherino; e Thiago Rocha, apontado pela investigação como colega de Jorge e responsável por diversas transações financeiras dos empreendimentos do executivo.

“Realmente as investigações aconteceram de forma independente entre o MPF e o Ministério Público Estadual. Nós fomos surpreendidos pelo cumprimento (dos 15 mandados de prisão pelo Geco), mas são de natureza diferente e nós desconhecemos completamente essas investigações que culminaram nas prisões e nas buscas e apreensões”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Questionados sobre empresas e valores que são alvos da investigação, o auditor fiscal Felipe Eduardo Hideo Hayashi declarou que os valores são expressivos mas que não pode dar detalhes sobre a investigação no momento. Segundo Hayashi, os materiais coletados nas buscas e apreensões poderão ser compartilhadas entre o MPF e o MPE. “É uma medida natural e poderia ter ocorrido antes se a investigação não tivesse sido declinada para a Justiça Eleitoral”.

De acordo com o procurador Diogo Castor de Mattos, uma das empresas investigadas, a Tucumã, era consorciada com a Odebrecht que venceu a licitação para a PR 323 e no mesmo período da negociação do contrato manteve algumas operação mobiliarias suspeitas com empresas relacionadas a familiares do governador. Segundo as investigações, o MPF possui uma série de elementos que indicam uma troca de favores, inclusive um áudio que indica um compromisso prévio para que a Odebrecht se consagrasse vencedora da licitação.

“ Em relação a necessidade das prisões, algumas evidencias novas mostraram que os alvos continuava a desempenhar atividades suspeitas. Um estava envolvido em campanha e o outro continuava a movimentar valores expressivos”, disse o procurador.

 

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Repórter do Paraná Portal
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