Política
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Os louros da viagem de Bolsonaro à Rússia

Ainda sobre a viagem desastrosa do presidente Jair Bolsonaro à Russia. Putin invadiu a Ucrânia e as consequências serão medidas em sangue e mortes.

Editorial - Paraná Portal - 24 de fevereiro de 2022, 12:36

Antonio Cruz/Agência Brasil
Antonio Cruz/Agência Brasil

A brutalidade da Rússia, ou de seu mandatário e ditador, Vladimir Putin, com a invasão da Ucrânia a pretexto de solidariedade a etnias russas, choca o mundo e as consequências do sangue derramado ficarão na história de um mundo carente de civilização. É uma ameaça à ordem europeia e um alerta às forças americanas de prontidão.

A história nos lembra que mais de quatro milhões de ucranianos, sem distinção entre mulheres, homens e crianças, foram condenados a morrer de fome por Stálin. 

Durante anos Stalin se apropriou de toda a safra de grãos e de estoques de alimentos produzidos pelos ucranianos. Eram todos destinados à alimentação de tropas militares nazistas.

O que nós perguntamos – e isto só interessa a nós, brasileiros – é o que o presidente Jair Bolsonaro foi, efetivamente, fazer na Rússia diante e na iminência de uma guerra pessoal de soberania russa?

Ao tentarmos desvendar esta insanidade, esbarramos, também, na vergonha em que nosso chefe da nação passou naquele país, deixando a diplomacia brasileira alucinada em corre-corre para tentar reverter a 

decisão do governo russo de manter o presidente brasileiro trancado, em quarentena, no hotel em que ficou hospedado em Moscou porque não é vacinado contra a Covid. Os russos exigiram que o presidente fizesse cinco testes de Covid antes de se encontrar com seu líder.

Sem dúvidas, um vexame. Bolsonaro ficou proibido de sair antes de se encontrar com o presidente russo no Kremelin, sede do governo. Nem o presidente Emmanuel Macron, da França, país membro da Otan, com quem Putin anda às turras por causa da Ucrânia, foi submetido a tão desonroso tratamento.

O lamentável é que todo aquele sofrimento de se submeter a testes de Covid, toda humilhação de ser obrigado a permanecer confinado no hotel, em quarentena, passeio vigiado de hora e meia por Moscou, sem sair do carro e, no dia seguinte ter que depositar coroa de flores para soldado comunista, toda aquela situação ensaiada e constrangedora para tirar retrato, tudo isso pra nada.

Pior que não dá nem mais para jogar fora agora ou eliminar as imagens que se pretendia usar na campanha para negar que o sujeito levou o País ao isolamento internacional. Elas serão usadas agora pela oposição, justamente com este propósito. 


E agora o presidente Putin invade a Ucrânia sem avisar, uma desfaçatez e falta de consideração. Logo quando o brasileiro, do alto de seu prestígio, credibilidade e liderança internacional, havia obtido o glorioso compromisso de não haver invasão da Ucrânia e nem guerra. 


O pior de tudo isso, fake news à parte, muitos brasileiros, bolsonaristas, é claro, acreditam ainda que a ida do presidente à Rússia foi para evitar uma guerra. 

Bem, deu no que deu.