Paraná perde 458 profissionais cubanos com fim do programa Mais Médicos

Lucian Pichetti - CBN Curitiba e Vinicius Cordeiro

O Paraná vai perder 458 médicos cubanos com o fim do convênio do programa Mais Médicos, após o desentendimento do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) com o governo de Cuba. São 187 cidades paranaenses atendidas pelos profissionais da saúde.

A Associação dos Municípios do Paraná (AMP) lamentou o fim do programa, mas encaminhou um ofício ao ao ministro da Saúde, Gilmar Occhi. O pedido foi encaminhado por Frank Schiavini, presidente da AMP e prefeito de Coronel Vivida, após solicitação dos prefeitos do estado.

Para Schiavini, os médicos cubanos solucionaram o problema da falta de profissionais no interior do Estado. O único atrativo para médicos irem às cidades menores é salário, o que dificulta as administrações municipais.

“Fizemos o pedido de esclarecimento porque estamos preocupados com a situação, queremos que o programa continue. São 23 milhões de brasileiros que são atendidos pelo programa, que ocorre principalmente para os municípios pequenos. Os filhos de famílias que se formam nos grandes centros, em Curitiba ou São Paulo, acabam ficando por lá. É muito raro os profissionais que voltam para trabalhar na região”, declara Schiavini.


Ponta Grossa é o município paranaense que mais conta com profissionais vindos de Cuba: 60. Eles representam cerca de 75% da força de trabalho nas unidades básicas da cidade. O prefeito Marcelo Rangel disse que foi pego de surpresa com o anúncio e que busca uma alternativa para a saúde da cidade.

“Ponta Grossa tem um dos maiores números de médicos intercambistas por habitante do país. Estamos trabalhando em regime emergencial com nosso sistema jurídico, nossa procuradoria e nossos advogados para fazermos contratações emergenciais. Estamos muito preocupados, a situação é muito grave”, ressalta Rangel.

Em uma postagem no Facebook, o prefeito disse que vai viajar para Brasília na segunda-feira (19) para buscar orientações do Ministério da Saúde. Ele também declarou que vai pedir também o apoio do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas para não deixar a população sem atendimento.

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