Participação de presidente de entidade em jantar com Bolsonaro indigna comunidade judaica

Folhapress

Claudio Lottenberg, Conib

Em uma carta aberta, parte da comunidade judaica brasileira manifestou “indignação’ pela participação de Cláudio Lottenberg, presidente do Conselho do Hospital Albert Einstein e da Conib (Confederação Israelita do Brasil), em jantar de aproximação entre empresários e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na última quarta-feira (7).

Organizada pelas associações Judeus pela Democracia – SP e Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil Henry Sobel, a carta divulgada nesta quinta-feira (8) avalia que a participação de Lottenberg no evento, como presidente da Conib, teve como objetivo “dar legitimidade à ideia de um apoio de judeus a um projeto político que vai contra os mais altos valores humanistas e democráticos, legados a nós pela tradição e história do povo judeu”.

“O presidente já demonstrou em inúmeras situações a indisposição de mudar de comportamento. Não há cooperação possível com Jair Bolsonaro. Há apenas a cooptação”, diz trecho da carta, que está aberta para a coleta de assinaturas.

Ela está endereçada ao próprio Lottenberg, à Conib e às demais entidades judaicas brasileiras. Como epígrafe, cita frase de Martin Luther King: “Quem aceita o mal sem protestar coopera com ele”.

O texto considera que Lottenberg fez uma “possível confusão” entre suas agendas institucional e pessoal, atitude que qualifica de “irresponsável, ambígua e perigosa”.

“Não condiz com o cargo de representante político de uma comunidade que se orgulha de ser plural, nem com um órgão que se propõe, entre outros objetivos, a combater a intolerância”, diz o texto, em referência à Conib. “Por uma infeliz coincidência, a ‘confraternização amistosa’ aconteceu em Yom Hashoá, dia em que lembramos os 6 milhões de judeus vítimas do Holocausto nazista.”

O documento afirma que, desde 2018, diversos grupos da comunidade judaica vêm manifestando oposição a Bolsonaro por seus ataques “às instituições, aos demais poderes da República, à imprensa, à sociedade civil organizada, aos direitos humanos, à memória do Holocausto e a qualquer voz de oposição”.

Por fim, o texto aponta Bolsonaro como responsável pelas mais de 340 mil mortes por Covid-19 no Brasil, devido à sua gestão “errática e irresponsável da pandemia”. “A crueldade em rir e fazer chacota de quem padece da doença passa de qualquer limite aceitável e a humilhação internacional pela qual o atual governo nos faz passar deveria ruborizar qualquer cidadão brasileiro.”

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