Paulo Marinho fala após terceiro depoimento: “a bola está com as autoridades”

Redação

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O empresário Paulo Marinho prestou hoje (26) seu terceiro depoimento sobre o suposto vazamento de informações da Polícia Federal (PF) para o o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Ele ficou no prédio da PF do Rio de Janeiro por cerca de seis horas e alegou ter apresentado novos elementos para comprovar sua versão.

“Acabei de sair da sede da PF do RJ onde prestei meu terceiro depoimento aprofundando os fatos e trazendo novos elementos sobre os episódios que narrei na entrevista da Folha do último domingo. Agora a bola está com as autoridades”, publicou Marinho em seu Twitter. 

Vale lembrar que o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), decretou “sigilo geral” no depoimento de Marinho após Flávio Bolsonaro apresentar um pedido para acompanhar o ato e ter acesso à transcrição da denúncia do empresário.

O primeiro depoimento de Paulo Marinho foi feito na última quarta-feira (20), também na Superintendência da PF no Rio. Já o segundo aconteceu na quinta-feira (21), só que na sede do MPF (Ministério Público Federal) na capital fluminense.

DENÚNCIAS DE MARINHO

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Marinho disse que Flávio foi avisado, por um delegado, que a PF (Polícia Federal), que a iria deflagrar uma operação, chamada de Furna da Onça, que tinha como alvo Carlos Queiroz – funcionário de Flávio, e sua filha. O senador soube da informação entre o primeiro e segundo turno das eleições de 2018.

Queiroz foi funcionário de Flávio em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, ou seja, enquanto Flávio foi deputado estadual.

Segundo Marinho, Flávio não foi só avisado. A operação foi “atrasada” por integrantes da PF para não afetar a imagem de Jair Bolsonaro durante as eleições. Isso aconteceu porque o delegado que antecipou a operação para Flávio era simpatizante da candidatura de Jair.

Para completar: Marinho contou que o delegado ainda aconselhou Flávio a demitir Queiroz e a filha dele. Ao relatar sobre a operação da PF para seu pai, antes dela acontecer, Jair também sugeriu a demissão de ambos. E assim Flávio fez: segundo os registros, Queiroz e sua filha foram exonerados no dia 15 de outubro de 2018.

REAÇÕES PARA FLÁVIO, PF E JAIR BOLSONARO

Os fatos relatados por Paulo Marinho, caso se confirmem, revelam, antes de tudo, que houve um ato ilegal por um delegado da Polícia Federal. Por isso, a PF abriu um procedimento para investigar o eventual desvio de conduta.

Já o senador Flávio Bolsonaro negou e rebateu a versão Marinho, dizendo que o empresário quer o prejudicar. O filho do presidente lembrou que Marinho é seu suplente no Senado.

“Não passam de invenção de alguém desesperado e sem votos. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão. E por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?”, indagou Flávio, em nota.

Contudo, a versão de Paulo Marinho criou mais um elemento sobre a investigação que apura uma suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF. A história justificaria, por exemplo, o interesse do presidente em ter controle total na PF do Rio de Janeiro.

O inquérito que investiga as ações do presidente foi aberto após o pedido de demissão do ex-ministro Sergio Moro, quem revelou essas tentativas. Diversos personagens da versão de Moro foram ouvidos: ele mesmo; o ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo; os ministros Walter Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); a deputada federal Carla Zambelli, entre outros.

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